3.10.07

Sexy Dorothy


Christina Ricci e Samuel L. Jackson na capa da Mean Magazine.

Eu não sou muito dado a gostar de filmes que tratam da redenção do underdog, do marginal, aquela coisa Mágico de Oz trash que o cinema contemporâneo insiste em praticar. Mas Entre o Céu e o Inferno (Black Snake Moan, 2007) me cativou pelo visual ousado e pelo talento bem aplicado de seus protagonistas. Christina Ricci faz Rae, a ninfomaníaca vulgar cujo namorado (Justin Timberlake) parte para o Iraque. Um belo dia, depois de uma orgia caipira, Rae é espancada e abandonada numa estrada onde Lazarus (Samuel L. Jackson) a encontra. Começa então a jornada desses dois párias em busca de seu mágico de Oz, pela estrada de terra vermelha de algum estado do sul americano.

Bem, o diretor é o mesmo de Ritmo de Um Sonho (Hustle & Flow, 2005), daí você já pode esperar que a música desempenhe um papel definitivo no filme. De fato, os toques mágicos da narrativa são embalados pelo blues tradicional, em cenas muito bem editadas. O visual é um capítulo à parte, inspirado claramente nos filmes de blaxploitaiton dos anos 60 e 70, brinca com uma estética de fotonovela amadora mesmo nos momentos mais sérios. Por mais que Samuel L. Jackson seja um grande ator, é Ricci quem tem o trunfo da película. É ela a pequena e sexy Dorothy, acorrentada ao radiador para não dar vazão à sua fúria uterina, forçada a vasculhar os traumas mais escuros da sua mente. O único demérito de Entre o Céu e o Inferno é o insosso Justin Timberlake, incapaz de dar qualquer vigor às suas poucas falas. [Disponível em DVD]

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