19.11.07

Elle ne regrette rien


Eu, por muito tempo na infância, achei que Bibi Ferreira e Edith Piaf fossem a mesma pessoa. Culpa de minha mãe que ao ver Bibi na tv sempre exclamava "Olha a Piaf!". E quando íamos à praia de carro, meu pai colocava a tocar uma fita cassete de "grandes sucessos da canção francesa"; em algum lugar entre Charles Aznavour e Jacques Brel, cantava Piaf sua La Vie En Rose, momento em que minha mãe dizia "Olha, a Bibi!". A confusão se dava porque nos anos 80 Bibi Ferreira encenou por anos o espetáculo Piaf, em que interpretava a cantora francesa mais amada de todos os tempos, um marco do teatro musical no Brasil.

Confesso que quando sentei em frente a tv para assistir a Piaf - Um Hino Ao Amor [La Môme, 2007] esperava o inevitável em cinebiografias: o clichê das cenas de leito de morte, os infames atores mirins retratando uma infância desgraçada e o didatismo exagerado para acompanhar a evolução temporal da trama. Estes elementos de certa forma estão todos lá, mas Piaf é muito mais do que isso. Ora impiedoso com a canastrice/vulgaridade da personagem real, ora muitíssimo respeitoso ao mito, o filme conta uma vida como se ela fosse uma chanson francaise. Se houvesse uma letra, talvez o primeiro verso fosse "veja que desgraça" e os últimos "mas ainda vale a pena viver porque existe o amor". Aliás, a cena final, ao som de Non, Je Ne Regrerte Rien é de levar qualquer bárbaro às lágrimas.

Menção honrosa, claro, para a protagonista Marion Cotillard. Pela desenvoltura com que interpretou esta canção tão dura e exigente que é a vida de Piaf.

Um comentário:

  1. Anônimo9:56 PM

    nada além de um simples: concordo.
    :D

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