28.11.07

Muito Laquê


Segundo a crítica internacioal, Halle Berry e Benicio Del Toro são fortes candidatos a uma indicação para o Oscar pelo intenso Coisas Que Perdemos Pelo Caminho [Things We Lost In The Fire, 2007].

Dirigino pela dinamarquesa Suzanne Bier [de Os Irmãos e Depois do Casamento], este drama tinha tudo para ser uma das coisas mais enjoativas em cartaz. A trama explica como Audrey [Berry] tenta lidar com a morte do marido [David Duchovny] e se vê responsável pelo melhor amigo do falecido, um viciado em heroína [del Toro] por quem a protagonista, claro, se atrai das maneiras mais insólitas.

Bier dirige o filme com mão leve porém habilidosa, passeando com a câmera pelos atores com um olhar curioso e honesto como, confesso, eu não lembro de ter visto recentemente. Coisas Que Perdemos ... tem um ar de filme alternativo, acho que devido à fotografia naturalista, quase documental. Isso enfatiza a realidade dos momentos em família e dos embates afetivos, funcionando como uma forma inteligente de engajar o espectador e, mesmo que por 110 minutos, convencê-lo de que a realidade pode ser triste mas também traz consigo alguma beleza.
Estréia no Brasil em janeiro.


Baseado no original de John Waters, de 1988, esta nova versão de Hairspray serviu pra me lembrar como os musicais são chatos, mas ainda assim exalam um charme muito próprio que só este gênero possui.

Um dos grandes motivos que me levaram a assistir Hairspray [2007] foi para ver John Travolta no papel da mãe obesa Edna Turnblad, vivida no original pela travesti Divine. Realmente, a simpática Edna já vale o filme, mas quem rouba a cena é mesmo Queen Latifah, não apenas por ser aquela com a voz mais agradável [seguida de longe pelo charme felino de Michelle Pfeifer], mas porque é uma atriz de presença magnética.

Quem viu o clássico de John Waters deve encontrar neste remake um gostinho ainda da acidez crítica do enredo e da forma inusitada como os personagens encaram a situação política dos opressivos anos 60 nos Estados Unidos: usando a ingenuidade como disfarce para o deboche cínico e venenoso. Pouca gente sabe, mas o diretor teve a idéia de escrever o Hairspray original depois de ler uma velha nota de jornal a respeito de uma rede televisão racista invadida por um grupo de jovens negros na década de 60.
Ouça Queen Latifah cantando I Know Where I've Been, talvez a melhor canção do filme.

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