
Mesmo sabendo se tratar do novo filme de Stephen Frears (Ligações Perigosas), eu não imaginava que
A Rainha fosse tão contemporâneo. E muito se engana quem pensa que a personagem principal é Elisabeth II. A rainha aqui é outra, interpretada por ninguém menos que ela própria: Diana Spencer, o fantasma que atormenta Hellen Mirren e todo o elenco do filme. Um Oscar merecidíssimo e inevitável pela caracterização e a profundidade de Mirren. Delicioso é ver também o jogo de cintura necessário para controlar a máquina non stop da mídia inglesa, em jogadas políticas que só provam a inutilidade da monarquia nos dias de hoje.

Woody Allen não está envelhecendo muito bem. Mas também não perdeu a mão.
Scoop é um pouco melhor que Match Point, mas não ousa. A impressão que você sente ao sair da sessão é de que o diretor está mais à vontade em retratar os ingleses ricos e famosos nessa sua segunda investida. Scarlett Johansson faz um alter ego de Allen, no gestual atrapalhado e confuso. Hugh Jackman agrada pelo carisma e charme irônico, no papel do aristocrata investigado pela estudante de jornalismo (Johansson), suspeito de ser o "assassino do tarô". Há algumas boas piadas, sacadas momentaneamente geniais e fracas reviravoltas. Diversão leve. Pelo menos não soa pretensioso e artificial com o anterior.
Paris, Je T'Aime é um projeto peculiar. Vários diretores da atualidade foram convidados a dirigir um curta de 5 minutos, cada qual numa localidade diferente da capital francesa. O resultado é, evidentemente, irregular, mas funciona muito bem. Destaque para o seguimento dirigido pelos irmãos Joel e Ethan Cohen (O Homem Que Não Estava Lá), com Steve Biscemi, impagável como sempre. Além deles, dirigem também Gus Van Sant (Elephant), Walter Salles Jr e Daniela Thomas (Terra Estrangeira), Alfonso Cuarón (Filhos da Esperança), Isabel Coixet (A Vida Secreta das Palavras), Wes Craven (Pânico) e muitos outros. A lista de estrelas no elenco é interminável, nem pergunte.

Agora vamos começar a falar sério, meus amigos.
Notas Sobre um Escândalo é um duelo de titãs, muito, mas muuito bem escrito. Não se pode entregar grandes detalhes da trama, pois a sacada do filme é justamente a forma com que a história evolui e envolve o espectador. Só dá para dizer sem risco que Cate Blanchett segura confortavelmente bem uma cena de conflito dramático, mesmo que sua oponente seja Judi Dench. O roteirista é Patrick Marber, o mesmo de Closer. Precisa dizer mais? Não leia nada a respeito, não pergunte a quem já viu, apenas assista.

Se você se ofende fácil com sexo explícito, fuja de
Shortbus. John Cameron Mitchel (Hedwig) sabia do risco que seria dirigir um filme sobre a sexualidade ambígua dos americanos e da forma confusa com que eles a tratam. Optou, então, por não fazer rodeios. Mostra o sexo como ele realmente é, com penetração, ejaculação, fetiches, orgasmo (ou a falta dele). Ironicamente, o que fala mais alto em Shortbus, mesmo com todo o sexo, é a angústia e a solidão de uma geração tão sem identidade como a nossa. Perto desta realização, as vaginas, seios, pênis e bundas que desfilam pela tela tornam-se sexualmente insípidas e invariavelmente bem menos excitantes, só por este mérito já vale o ingresso.
Introducing Joss Stone, o novo álbum da inglesinha de voz potente, anuncia a chegada de uma nova faceta da cantora. Mesmo com apenas 19 anos, Joss coloca no chinelo muita diva experiente. Prova disso é o primeiro single
Put Your Hands on Me.Um cd para ouvir do início ao fim.

Já a dupla
Erasure, conhecida pelo pop grudento dos anos 80, registrou a turnê acústica do ano passado em DVD e CD.
On The Road to Nashville reúne canções de álbuns recentes e clássicos do electro pop pelo qual ficaram conhecidos em versões acústicas que beiram o country. Deve agradar fãs nostálgicos e novatos no modo Erasure de ser. Ouça como ficou
A Little Respect.Um aquecimento para o novo álbum da banda, a ser lançado em maio.