31.1.08

Mais amarrado que pacote de despacho

| Esta semana a coisa está feia. Eu vi um monte de filmes mas falta tempo de sentar e escrever a respeito. Fá-lo-ei, não vos estresseis.

| Minha mãe é fanática pelo programa A Grande Chance (Band - terças-feiras as 22:30), em que os participantes demonstram seu conhecimento da Língua Portuguesa. Na última terça, uma das perguntas era "A que proteína, presente no trigo, os celíacos são alergicos?". A resposta do moço foi imediata: "Glúteo!"

| "Preta Gil tem corpinho de teen. Teen Maia" Zé Simão, ontem na Folha.

| E o Tiozinho, em passeio pelo Rio de Janeiro (que, segundo ele, continua lindo) deparou-se na Farme de Amoedo com um café que tem o mesmo nome deste blog. Mandou até uma foto para comprovar.


27.1.08

Sunday Classics



Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg em Acossado (À Bout de Souffle, 1960), de Jean-Luc Goddard.

Para Lili.

25.1.08

Compilation


Minha trilha para correr. Deve dar para uns 10 Km.

1. Seal - Loaded (5:19)
2. Robbie Williams Feat Pet Shop Boys - She's Madonna (Tiga Remix) (7:13)
3. Alicia Keys - Teenage Love Affair (3:10)
4. Jamiroquai - (Don't) Give Hate A Chance (5:02)
5. Gorillaz - DARE (Soulwax Remix) (2:48)
6. David Guetta - Love is gone (Fred Rister & Joachim Garraud radio edit) (3:21)
7. Madonna - Holiday (Live from the Re-Invention Tour) (5:44)
8. Mark Ronson - Stop Me(Dirty South Remix) (8:25)
9. Mika - Love Today (Moto Blanco Full Length Vocal Mix) (7:18)
10. The Dril - The Drill (6:06)
11. Scissor Sisters - I Dont Feel Like Dancing (4:10)
12. Fangoria y Miranda - Tenemos Que Hablar de Las Plantas (3:26)

24.1.08

That's How People Grow Up



Novo vídeo do Morrissey para promover o Greatest Hits que sai dia 11 de fevereiro na Inglaterra. O tracklisting é o seguinte:

"First Of The Gang To Die" (de You Are The Quarry)
"In The Future When All's Well" (de Ringleader Of The Tormentors)
"I Just Want To See The Boy Happy" (de Ringleader Of The Tormentors)
"Irish Blood, English Heart" (de You Are The Quarry)
"You Have Killed Me" (de Ringleader Of The Tormentors)
"That's How People Grow Up" (inédita)
"Everyday Is Like Sunday" (de Viva Hate)
"Redondo Beach" (de Live At Earls Court)
"Suedehead" (de Viva Hate)
"The Youngest Was The Most Loved" (de Ringleader Of The Tormentors)
"The Last Of The Famous International Playboys" (de Bona Drag)
"The More You Ignore Me, The Closer I Get" (de Vauxhall And I)
"All You Need Is Me" (inédita)
"Let Me Kiss You" (de You Are The Quarry)
"I Have Forgiven Jesus" (de You Are The Quarry)

A edição especial que só sai lá fora, traz um cd extra, Live At The Hollywood Bowl:

"The Last Of The Famous International Playboys"
"The National Front Disco"
"Let Me Kiss You"
"Irish Blood, English Heart"
"I Will See You In Far Off Places"
"First Of The Gang To Die"
"I Just Want To See The Boy Happy"
"Life Is A Pigsty"

Objeto do desejo.

23.1.08

Medo

Na favela de Duas Caras, as 'bailarinas' da 'casa de show', todas tortas, imitam uma cena de Sweet Charity (1969) da qual já se falou aqui.

Mais nervoso que gato em dia de faxina

Porto Alegre na santa paz, temperaturas amenas, velhinho deitado num banco à beira do Guaíba com sua York Shire em prontidão olhando pro rio, 8 km de corrida por dia, depois de 3 meses de vida de atleta amador meu corpo já não lembra mais uma saca de batatas, paqueras mil, telefonemas à meia-noite. ..

Sabe quando um gatinho está bem tranquilo, estirado no sol e alguém derruba um caixa de pratos? Pois é, companheiro, ele gruda no lustre.

Escravos de Jó
| Você poderia traduzir estas 6000 palavras pra amanhã as 14 horas? Você limpa a lágrima no canto do olho por mais uma noite de sono perdida esta semana e responde: Claro que posso!

Afro-repelente
| Enquanto isso, Lazarento Ramos, o didático, faz o que sempre fez em novelas: fala como se estivesse num comercial do ministério da saúde.

Chupando o dedo
| A 'acadimia' mais uma vez tirou o pirulito do Brasil. Necas de filme nacional concorrendo ao Oscar. Pior que por este eu estava torcendo. E na 'catiguria' principal, concorrência fraca. Queria ter visto O Gangster, de Ridley Scott lá, um dos melhores que eu vi ultimamente (logo logo falo dele aqui). Torço por Onde Os Fracos Não Têm Vez, dos irmãos Cohen, mas ainda preciso ver Sangue Negro.

Assim não tem glamour
| Eu poderia jurar que o Marcos Palmeira passou por mim correndo no Gasômetro hoje. Se for, ele é ainda mais feio e baixo que na tv.

Tamborim
| Falando nisso, passou por mim também uma moça vestindo uma camiseta com a frase GORDURA É RELAXAMENTO. Era magra e jovem, com a pele do rosto toda enrugada e marcada do sol. Abusar do sol também é relaxamento.

Judiação
| Ler a coluna de Moacyr Scliar e, na página seguinte, a de Marta Medeiros é covardia com a pobre.

Miau!
| Foto de Ivete Sangalo vestida de mulher-gato de Cubatão. Não me contaram, eu vi. Dizem que aquilo é Herchcovitch. Pra mim é mau-gosto.

Tele-mala
| - Eu gostaria de falar com a senhora Maria Fernanda, por favor.
- É ela.
- Como assim, senhor?

| Acabou a diversão, de volta ao trabalho. Mas não desligue, sua ligação é muito importante para nós.

22.1.08

Foi-se


Heath Ledger, 28 anos. Encontrado morto hoje no apartamento da atriz Mary-Kate Olsen (uma das gêmeas da série Três É Demais [Full House]). A polícia de Nova York admite a possibilidade de suicídio. Mary-Kate 'deve' estar em Los Angeles.
Que Deus o receba de braços abertos.

[Foto do filme I'm Not There, em que Ledger faz brilhantemente o papel de Bob Dylan]

21.1.08

Quatro Filmes

O diretor Sidney Lumet ficou muito conhecido desde que dirigiu Um Dia de Cão (1975) e Rede de Intrigas (1976), clássicos infalíveis no quesito cinemão americano, que retratavam as neuroses da América através de seus controversos personagens, incorporados por gente do calibre de Faye Dunaway, Al Pacino, William Holden, Robert Duvall e Peter Finch, e a os quais raramente faltava ousadia. Neste Antes Que o Diabo Descubra Que Você Está Morto (2007) Lumet, mais uma vez conta com um elenco de primeira, Phillip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Marisa Tomei ( espantosamente linda e talentosa) e o veterano Albert Finney, mas que precisa fazer malabarismos para dar sentido à trama. Como já é tendência para os filmes de ação nos últimos 10 anos, a narrativa vai e volta no tempo para tornar a história mais desafiadora, o que pode confundir o espectador. Melhor do que muita coisa que se vê por aí, mas decepcionante se levarmos em conta o passado de seu realizador.



Eu não li nem pretendo ler o best-seller, mas assisti a O Caçador de Pipas (2007) semana passada e confesso que não fiquei nada impressionado. É mais um daqueles filmes de atmosfera fantasiosa, cuja trilha sonora já anuncia de antemão que a trama será mais uma parábula sobre o bem e o mal do que um filme propriamente dito. No entanto, há muito de realidade aqui, num roteiro que abrange 20 anos da história do Afeganistão, da invasão russa ao regime Talibã. Através da história da amizade dos meninos Amir e Hassam encontramos a passagem que o espectador ganha nesta viagem de ida e volta entre o público e o privado de uma cultura ainda demasiadamente misteriosa para nós ocidentais. Tem lá seu charme e potencial de arrancar algumas lágrimas. O elenco infantil, pelo menos, garante uma certa qualidade.






A sempre irritante Ellen Page (de Menina Má.com) encontrou na protagonista da ótima comédia Juno (2007) um papel feito especialmente para ela. A personagem título perde a virgindade numa poltrona da casa dos pais para o colega bocó Paulie (Michael Cera) e se descobre grávida algumas semanas depois. Mesmo tendo pensado em abortar, decide por doar o bebê para um jovem casal (Jennifer Gardner e Jason Bateman) que conheceu através de anúncio de jornal.

O diretor Jason Reitman (filho de Ivan Reitman, aquele das comédias idiotas) já tinha no currículo o inteligente Obrigado Por Fumar (2005). Refinou em Juno seu senso de humor com umas pitadas de ironia caústica à classe média americana e muito auto-deboche. A trilha é boa de lascar e Jennifer Gardner é uma das grandes surpresas do elenco. Ao contrário do que tem se falado, Juno não é o equivalente deste ano a Pequena Miss Sunshine. A única coisa que os dois têm em comum é o fato de serem filmes independentes e de visual caprichado.



Unidos Pelo Sangue chama-se em inglês Three Needles, ou seja, três agulhas, e conta três histórias de como o vírus da AIDS se espalhou pelo mundo. Na primeira, Lucy Liu é uma traficante de sangue na miserável zona rural da China que não testa o sangue que comercializa. Na segunda, Sandra Oh (de Grey's Anatomy), Olympia Dukakis e Chlóe Sevigny são missionárias na África tentando cuidar de pacientes infectados com o HIV enquanto observam a população local reutilizando seringas infectadas e vendendo-as como novas. Por último, no Canadá, um jovem que atua em filmes pornôs para sustentar a família forja resultados de exames de sangue para continuar trabalhando mesmo sendo positivo. Em cada uma das histórias, os protagonistas são obrigados a tomar medidas drásticas e extremas para lutar contra o descaso do status quo em relação àquelas situações. Um filme importante e informativo.

20.1.08

Sunday Classics



Andy Warhol, o homem fútil, superficial e distante que nos pintou a todos, desde os anos 60, como consumidores da vida alheia, das celebridades, dos excessos em nome do status social. E a gente continua fazendo tudo de novo, de novo, de novo...

18.1.08

Compilation



1. Seal - Lips Like Sugar ft Mikey Dread (5:00)
2. Dusty Springfield - Cherished (2:38)
3. Shirley Horn - 'And I Love Him' (2:28)
4. Vanessa da Mata & Ben Harper - Boa Sorte (Deeplick Remix) (5:02)
5. Charlie Rich - 'San Francisco Is A Lonely Town' (3:26)
6. Sandie Shaw - (There's) Always Something There To Remind Me (2:43)
7. Alicia Keys - Teenage Love Affair (3:10)
8. Glen Campbell - 'By The Time I Get To Phoenix' (2:38)
9. Mark Ronson - The Only One I Know (Feat. Robbie Williams) (3:59)
10. Les Petroleuses - 'Nicole' (3:59)
11. Julie London - 'Lonley Girl' (3:30)
12. Nina Simone - Black Is The Color of my True Love's Hair (Jaffa RMX) (5:00)
13. Feist - Sealion (Chromeo Remix) (3:44)
14. Sally Shapiro - He Keeps Me Alive (3:54)

17.1.08

2 Dias em Paris


Julie Delpy, mais conhecida pela Céline de Antes do Pôr-do-Sol (2004) e Antes Do Amanhecer (1995), escreveu, dirigiu, estrelou, editou (sozinha, diga-se de passagem) e compôs a trilha sonora de 2 Days In Paris (2007), em que atua ao lado de Adam Goldberg formando um casal engraçado que vai a Paris visitar a família da moça. As inevitáveis piadas que ressaltam a diferença cultural enorme entre franceses e americanos são divertidas e nada óbvias. A personagem de Delpy, Marion, começa o filme um pouco atrapalhada como Woody Allen, mas toma uma forma só sua conforme o roteiro mergulha mais na cultura local parisiense. Goldberg está ótimo (talvez um melhor par do que Ethan Hawke, certamente mais bem humorado) e rouba algumas cenas. Os pais de Marion são, na verdade, os de Delpy, também atores e artistas. Na trilha, uma linda parceria da diretora/atriz com os bossanovistas do Nouvelle Vague. Um pequeno grande filme que merece ser visto.

16.1.08

Mais quente que frigideira sem cabo

Sensação térmica de 45 graus em Porto alegre e parece que a paciência da gente diminui em situações de temperatura extrema. "vamu fritá, galera! Tira o pé do chão!"

OMO Ultra
|
"Foi pensando só em mim que eu pensei só em você" só podia ter saído de uma música composta por Roberto Carlos, néam? Isso é tão...tão...Brasil-il. Tânia Mara (tânia-quem?) é nova Marisa Monte de rádio AM, me parece. Muito respeito com ela, é nora de Maysa Matarazzo. Ah, tem a versão com o Paulo Ricardo também. A moça que lava roupa de manhã no prédio ao lado do meu adora de paixão. Ela se emociona aos berros enquanto entoa "Foi por não querer amar que eu amei... vocêêê". Esfrega a roupa, joga uma aguinha na cara e se recompõe. Só vendo.

Televisão Contradição |
Outro dia eu assisti a 7 episódios de Os Aspones. Como Fernanda Young e Alexandre Machado escrevem bem comédia, não?
Outro dia eu assisti a 2 episódios de O Sistema. Como Fernanda Young e Alexandre Machado escrevem mal, não?

Cara-a-Cara |
Até minha mãe já reparou que Marília Gabriela não consegue mover um músculo facial sequer. Não apenas reparou como ligou mandando eu assistir à novela pra dizer se eu concordava. "Sim, mãe, parece Botox". "Eu sabia!"

Isso aqui ô-ô ... |
"Olha, vou contar um negócio pra você, mas é segredo, tá? É uma coisa muito íntima minha e não quero que você conte pra mais ninguém..." Assim o psiquiatra e psicopedagogo Ursinho Pimpão anunciou em rede nacional, via Big Brother, que é gay. Não apenas gay, ele é ômossequissual, que impõe mais respeito. Ele, claro, estava chorando. Vocês respeitem a privacidade do moço e não saiam comentando, é segredo, viu? Não é à toa que este é um dos vídeos mais populares do morno BBB8. Fiquei sabendo da história toda, inclusive, sem nunca ter assistido.

Epistemologicamente falando (pode levantar pra fazer xixi, esta é a parte chata do post), chamar os participantes do programa de 'brothers' não faz muito sentido. Mas o povo não leu nem nunca vai ler Orwell, eles só se importam que o nome do programa é Big Brother e automaticamente já chamam todo mundo de brother, porque é maneiro, morou? Ou seja, quanto menos a gente sabe, mais feliz a gente é. Tá ligado?

No Sex and the City

A rede de tv americana ABC comprou a nova série do produtor Darren Star, o homem que criou Sex and the City. E, francamente, não é legal ficar comparando Cashmere Mafia com a série de Carrie Bradshaw. Só porque as protagonistas são quatro mulheres poderosas, uma ruiva, uma loira, uma morena e uma 'castanha'. Ok, tem a ver com moda, Lucy Liu é Mia Mason, editora de uma revista quee recebe presentes deslumbrantes como bolsas Prada e arranjos florais feitos com pares de óculos Gucci, Zoe (Francis O'Connor) é casada, com filhos, mas tem uma marido que vale ouro e, além de trabalhar, cuida das crianças. Já Juliet Drapper (a lindíssima Miranda Otto) é casada com um cafajeste bonitão que dorme com metade de Nova York. Caitlin Dowed (Bonnie Somerville) ainda não decidiu se é hetero ou lésbica, muito embora tenha nariz feio (e, não sei se vocês perceberam, lésbicas americanas sempre têm nariz feio, ou seja, eu voto por lésbica). Mas, ironias à parte, as personagens de Cashmere Mafia são versões mais ricas e frias das amigas de Sex and the City. Enquanto na série antiga nós conseguíamos um fiapo que fosse de conexão com os sentimentos das moças, em Mafia tudo parece meio artificial.

A canção tema é quase idêntica àquele cool mambo de Sex and the City, a trilha de cada episódio é moderna (tem Mika, Scissor Sisters e Tiga) e a edição é bastante parecida. A sensível diferença vem do fato de Cashmere passar na ABC, rede de tv aberta, onde não se pode dizer palavrão, mostrar bunda e peito nem falar de sexo anal. Aquela franqueza que todos admirávamos em Sex and the City não aparece aqui nem para dar um tchauzinho. Esta é a opinião de quem só assistiu aos 3 primeiros episódios, claro. Mas acho que não é desta vez que os órfãos de S&tC encontram um lar.

14.1.08

Xadrez


As melhores surpresas da vida, geralmente vêm dos amigos. Talvez não sempre as melhores, mas as mais engraçadas, ah, isso sim! Noite de sexta, num bar/galpão/clube de Porto Alegre, o amigo solta um daqueles bufos impacientes, antes de sinalizar a passagem de um cara, e diz "Eu experimentei aquela camisa xadrez no Tevah. É horrorosa!"

Não sei explicar por que, mas eu ri por uns 20 minutos.

Três Filmes

O novo filme de Brian de Palma, Redacted, é um documentário de mentirinha, aliás, de mentironas. Este formato curisoso de ironia, os documentários forjados são geralmente muito ácidos nos objetos que retratam. Aqui há vários tipos de mídia contemporânea ligados ao formato documental, até um falso curta-metragem, supostamente francês, contando a rotina dos soldados americanos numa barricada no Iraque. É dificíl não encarar Redacted como ficção, muito embora ele tenha sido filmado em vídeo digital, pelas mãos dos próprios atores. Acontece que a "realidade" daquela guerra parece mesmo saída de algum roteiro hollywoodiano. O evento que levou de Palma a realizar Redacted foi o estupro e assassinado de uma família iraquiana por um grupo de soldados americanos, evento este esmiuçado nos mínimos detalhes no filme.

A cena final, uma montagem de fotos tiradas de jornais retratando os horrores daquela guerra, é de tirar o fôlego. Um filme importante e bem mais relevante que o similar Leões e Cordeiros.

*O termo 'redacted' é utilizado na língua inglesa para se referir àquelas informações confidenciais contidas em documentos liberados pelo governo que são censuradas com tarjas pretas.



I'm Not There, de Todd Haynes, conta vários estágios da vida e carreira de Bob Dylan tentando adapatar para a narrativa cinematográfica o estilo de compor letras utilizado pelo cantor. São várias vozes, vários alter egos, para cada um deles, uma linguagem visual diferente. Cate Blanchett, que levou ontem o Globo de Ouro de atriz coadjuvante por seu Dylan, é quem melhor se sai, muito embora corra cabeça à cabeça com o ótimo Heath Ledger. Também interpretam Bob Dylan: Christian Bale, Richard Gere, Marcus Carl Franklin e Ben Whishaw sem muito impacto.

O título original do filme é o mesmo de uma canção inédita de Dylan apresentada pela primeira vez ao público no filme.

Confesso que não esperava uma narrativa tão fragmentada e essencialmente alegórica como a que encontrei em I'm Not There. Acho que é isso mesmo, o que se pode dizer com total certeza é que este é um filme bonito. Mais nada.



Além de iconoclastas de carteirinha, os Irmãos Joel e Ethan Cohen sempre flertaram com a lei de Murphy nas temáticas de seus filmes. Levaram ao extremo em seus roteiros aquilo que pode e dá errado. Onde Os Fracos Não Têm Vez (No Country For Old Men, 2007) é o everest de sua técnica. É aquele filme que reúne tudo que os anteriores tinham de melhor (vide o humor de Fargo (1996), a acidez de Arizona Nunca Mais (1997), a fotografia de E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? (2000) e a profundidade de O Homem Que Não Estava Lá (2001), um dos mais genias da dupla).

As interpretações de Tommy Lee Jones e Javier Bardem (vencedor ontem do Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante) são as mais marcantes da filmografia de ambos. O roteiro, também vencedor do Globo de Ouro, é um primor, muito embora exija atenção redobrada do espectador. Recomendadíssimo. Um dos melhores filmes dos últimos anos.

11.1.08

Compilation



Walk On By é uma das canções de amor mais tristes que eu conheço, mas (e talvez por isso) é linda demais. Separei aqui as minhas interpretações favoritas, incluíndo uma versão disco daquelas tipo odisséia que a Gloria Gaynor adorava fazer nos anos 70. Baixem e deixem um comentário dizendo qual foi sua favorita. Ah, e de bonus ainda tem Dusty cantando You've Got A Friend, uma Alicia Keys como sempre maravilhosa e Beverley Knight transformando uma música dos insuportáveis Rolling Stones.

1. Seal - Walk on By (3:05)
2. Alicia Keys - If I Was Your Woman (3:06)
3. Gabrielle - Walk On By (3:18)
4. Queen Latifah - Quiet Nights of Quiet Stars (Corcovado) (3:50)
5. A Camp - Charlie Charlie (3:07)
6. Elvis Presley - Always On My Mind (3:41)
7. Beverley Knight - Time Is On Our Side (3:32)
8. Dusty Springfield - You've Got a Friend (5:28)
9. Isaac Hayes - Walk On By (4:33)
10. Gloria Gaynor - Walk On By (5:43)
11. Swing Out Sister - You On My Mind (4:47)
12. Aretha Franklin - Walk On By (2:48)
13. Dame Shirley Bassey - Slave To The Rhythm (6:30)
14. Dionne Warwick - Walk On By (2:52)


10.1.08

Noticcias



Povo, a Mme está com problemas no servidor, que se atrapalhou com um scipt de não-sei-que-lá, mas volta assim que der. Não se preocupem, ela continua cintilante e multi-tasking como sempre.

9.1.08

Tá quente, mãe!


Poucas coisas no mundo são melhores do que sorvete de creme com amêndoas numa noite de verão. Aliás as noites de verão são, normalmente, uma provação divina contra tentações sórdidas da carne. Confesso que nunca simpatizei com o Cazuza, nem em vida, muito menos depois de sua morte, mas aquela frase "eu não sei o que meu corpo abriga nessas noites quentes de verão" me vem à cabeça nesta época do ano. Logo eu, que sempre odiei a estação dos suadores e pés à milanesa mesmo morando em cidades de praia por mais de 30 anos. Agora em Porto Alegre, passei a simpatizar com o estado praiano das pessoas durante esses meses.

Lembro vividamente de assistir a O Pecado Mora Ao Lado (The Seven Year Itch, 1955), de Billy Wilder, pela primeira vez ainda muito guri na casa de praia e pensar "como é bonito sentir calor na cidade!". Difícil de explicar o que me atraía naquilo, se era Marylin Monroe fazendo aquele papel de tonta-porém-espertalhona se refestelando nos ventos quentes do metrô nova-iorquino ou se a atmosfera de tesão contido no ar naquelas quase duas horas de filme. Eu nunca entendi como os homens daquela época, mesmo no verão, eram retratados nos filmes vestindo terno e gravata. Talvez para insinuar às platéias internacionais que os americanos eram homens alinhados até nas mais severas temperaturas. Nós brasileiros não. Somos desalinhados, safados, sem-vergonha nenhuma de expressar nosso tesão.

*Olha que coisa, pesquisei no Houaiss uma dúvida que eu tinha há tempos: tesão é de fato um substantivo masculino, como eu sempre suspeitei. A minha dúvida provinha do fato de uma amiga da minha mãe, sempre que contava o enredo amoroso de alguma novela, dizer algo como "...daí a Elizabeth Savalla casou com o Tony Ramos que tinha uma tesão violenta pela Carla Camurati.". Vá entender...

8.1.08

Quatro Filmes

Angel-A é o Asas do Desejo de Luc Besson. Filmado todo em preto-e-branco e com uma fotografia primorosa, conta a história de um homem desiludido com a vida e seus constantes fracassos que, por conta do destino, encontra a misteriosa e sedutora Angela.

Besson traça aqui uma deliciosa teoria a respeito da tragetória humana tendo como pano de fundo o submundo de Paris. Destaque honroso para a decadência elegante da modelo dinamarquesa Rie Rasmussen como a personagem título, um anjo enviado à terra para restaurar a fé do malandro André (Jamel Debbouze) em si mesmo e no Divino.

Um filme que é pura magia e, ao mesmo tempo, real e contundente. Como diria um amigo meu, ele contém "várias camadas de entendimento". Pena que lá no finalzinho ele se torna um pouco piegas. Um deslize perdoável para uma obra tão bonita.



Desejo e Reparação (Atonement, 2007) é uma criativa adaptação do romance homônimo de Ian McEwan, que narra de forma contemporânea a atribulada história de amor dos jovens Cecilia e Robbie (Keira Knightley e James McAvoy) durante quatro períodos da história. Apesar de ser um filme de época, a edição é virtuosa e criativa e, graças a Deus, em nada lembra os romances açucarados ingleses produzidos nos anos 90.

O problema aqui é a linda Knightley. Ela passa o filme inteiro fazendo caras e bocas como se estivesse permanentemente num comercial de perfume. A jovem Saoirse Ronan (pivô da trama) rouba a cena sempre que aparece e McAvoy não atrapalha. A reconstituição da segunda guerra mundial é assustadoramente realista, em especial aquela presente nos diálogos, representando o misto de tristeza e garra, tão necessários para que a Inglaterra se reerguesse depois dos bombardeios que a assolaram. Mas o momento mágico acontece nos 5 minutos finais, em que Vanessa Redgrave aparece para mostrar a essa gente jovem o que é um ator de verdade levar um filme no bolso.

Em Eu Sou A Lenda (I Am Legend, 2007), Will Smith faz o papel do último sobrevivente (assim ele pensa) da terra , assolada por um vírus mortal, resultado de uma mutação genética que deu errado. Além dele, habitam a desértica Nova York, zumbis raivosos infectados pela doença que, pelos sintomas, parece uma espécie de raiva potencializada. Quem já viu Extermínio (28 Days Later, 2002), deve estar achando isso tudo muito familiar. A trama é praticamente a mesma, só que o filme britânico se passa em Londres e, claro, é infinitamente melhor.

O protagonista tem apenas a companhia da cadela Samantha, um pastor alemão com muito mais carisma e talento que Smith. O que acontece depois segue a regra dos roteiros de ficção científica escritos após Guerra nas Estrelas: o guerreiro Jedi precisa sacrificar-se para defender e salvar sua raça da extinção. Mas há, assim como na série de George Lucas, uma nova esperança: a brasileira Alice Braga. O resto você descobre quando assistir ao filme.


Depois do doente Ma Mèr, Christophe Honoré se redime com méritos no lindo Em Paris (Dans Paris, 2006), uma comovente história de dois irmãos, Louis Garrel ( de Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci) e Romain Duris ( de O Albergue Espanhol). O primeiro, mais jovem, aparenta total indiferença com a vida e suas responsabilidades, já o segundo amarga uma difícil separação e a dor de ainda amar a ex-esposa.

A trama se passa num período de vinte e quatro horas e homenageia os vai-e-vens e a narração desconcertante da Nouvelle Vague, ao som de muito jazz. Já na cena de abertura, Garrel se apresenta ao espectador como narrador onisciente desta história de re-encontros amorosos e familiares.
Obrigatório para quem gosta do bom cinema.

4.1.08

Compilation


A primeira compilation de 2008 reúne artistas de várias gerações. O que as faixas têm em comum é a delicadeza e um certo clima sedutor. Atentem para a brasileira filha de cubanos, Marina De La Riva e sua versão tropical de Sonho Meu, Fernanda Takai, queridinha como só cantando Insensatez, Roisin Murphy fazendo cover de The Gossip, uma das melhores do álbum novo de Goldfrapp e uma Etta James de matar.

1. Roisin Musphy - Standing In The Way Of Control (live) (3:28)
2. Mark Ronson feat. Amy Winehouse - Valerie (3:39)
3. Maroon 5 - Won't Go Home Without You (3:51)
4. A Camp - I Can Buy You (3:49)
5. Goldfrapp - Cologne Cerrone Houdini (4:27)
6. Jem - Wish I (3:56)
7. Marina De La Riva - Sonho Meu (3:21)
8. Sally Shapiro - Find My Soul (norweigan electrojazz mix) (4:57)
9. Etta James - Miss You (5:59)
10. Randy Crawford - Give Me the Night (Chill Night Mix) (4:49)
11. Fernanda Takai - Insensatez (3:36)
12. The Cardigans - Erase-Rewind (Naid remix) (6:44)
13. Seal - Dumb (4:11)
14. Tracey Thorn - Grand Canyon (Farina Intro Mix) (6:00)