8.1.08

Quatro Filmes

Angel-A é o Asas do Desejo de Luc Besson. Filmado todo em preto-e-branco e com uma fotografia primorosa, conta a história de um homem desiludido com a vida e seus constantes fracassos que, por conta do destino, encontra a misteriosa e sedutora Angela.

Besson traça aqui uma deliciosa teoria a respeito da tragetória humana tendo como pano de fundo o submundo de Paris. Destaque honroso para a decadência elegante da modelo dinamarquesa Rie Rasmussen como a personagem título, um anjo enviado à terra para restaurar a fé do malandro André (Jamel Debbouze) em si mesmo e no Divino.

Um filme que é pura magia e, ao mesmo tempo, real e contundente. Como diria um amigo meu, ele contém "várias camadas de entendimento". Pena que lá no finalzinho ele se torna um pouco piegas. Um deslize perdoável para uma obra tão bonita.



Desejo e Reparação (Atonement, 2007) é uma criativa adaptação do romance homônimo de Ian McEwan, que narra de forma contemporânea a atribulada história de amor dos jovens Cecilia e Robbie (Keira Knightley e James McAvoy) durante quatro períodos da história. Apesar de ser um filme de época, a edição é virtuosa e criativa e, graças a Deus, em nada lembra os romances açucarados ingleses produzidos nos anos 90.

O problema aqui é a linda Knightley. Ela passa o filme inteiro fazendo caras e bocas como se estivesse permanentemente num comercial de perfume. A jovem Saoirse Ronan (pivô da trama) rouba a cena sempre que aparece e McAvoy não atrapalha. A reconstituição da segunda guerra mundial é assustadoramente realista, em especial aquela presente nos diálogos, representando o misto de tristeza e garra, tão necessários para que a Inglaterra se reerguesse depois dos bombardeios que a assolaram. Mas o momento mágico acontece nos 5 minutos finais, em que Vanessa Redgrave aparece para mostrar a essa gente jovem o que é um ator de verdade levar um filme no bolso.

Em Eu Sou A Lenda (I Am Legend, 2007), Will Smith faz o papel do último sobrevivente (assim ele pensa) da terra , assolada por um vírus mortal, resultado de uma mutação genética que deu errado. Além dele, habitam a desértica Nova York, zumbis raivosos infectados pela doença que, pelos sintomas, parece uma espécie de raiva potencializada. Quem já viu Extermínio (28 Days Later, 2002), deve estar achando isso tudo muito familiar. A trama é praticamente a mesma, só que o filme britânico se passa em Londres e, claro, é infinitamente melhor.

O protagonista tem apenas a companhia da cadela Samantha, um pastor alemão com muito mais carisma e talento que Smith. O que acontece depois segue a regra dos roteiros de ficção científica escritos após Guerra nas Estrelas: o guerreiro Jedi precisa sacrificar-se para defender e salvar sua raça da extinção. Mas há, assim como na série de George Lucas, uma nova esperança: a brasileira Alice Braga. O resto você descobre quando assistir ao filme.


Depois do doente Ma Mèr, Christophe Honoré se redime com méritos no lindo Em Paris (Dans Paris, 2006), uma comovente história de dois irmãos, Louis Garrel ( de Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci) e Romain Duris ( de O Albergue Espanhol). O primeiro, mais jovem, aparenta total indiferença com a vida e suas responsabilidades, já o segundo amarga uma difícil separação e a dor de ainda amar a ex-esposa.

A trama se passa num período de vinte e quatro horas e homenageia os vai-e-vens e a narração desconcertante da Nouvelle Vague, ao som de muito jazz. Já na cena de abertura, Garrel se apresenta ao espectador como narrador onisciente desta história de re-encontros amorosos e familiares.
Obrigatório para quem gosta do bom cinema.

6 comentários:

  1. puta merda... num chegou nada disso por aqui...

    abrs

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Dans Paris é alguma coisa de tão bom. A cena que eles cantam juntos ao telefone, chorei. Sou besta, sim.

    Beijos.

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  4. eu tenho uma raiva de tu assistindo essas coisas todas antes de nós...
    eu PRECISO ver esses dois delicias em EM PARIS. pre-ci-so.

    um beijo.

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  5. Assisti "Desejo e Reparação" e não conseguia esquecer esse teu trecho de que a Kiera parece o filme inteiro num comercial de perfume. Querido!Tu disse tudo!

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  6. belly1:20 AM

    Coisa mais linda a casa nova! Hmmmm!

    Tadinha da Keira. Acabou com ela com essa conversa de comercial de perfume (hohohoho). Ri muito.

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