29.2.08

Compilation | Re-edição


Em agosto de 1992, Madonna estava em estúdio com o produtor Shep Pettibone gravando o álbum Erotica. Restava apenas uma canção a terminar, Goodbye to Innocence, com a qual a cantora não estava nem um pouco satisfeita e pediu a Pettibone que bolasse um novo arranjo. Ele assim o fez e mostrou a ela na manhã seguinte. Na hora de colocar os vocais, Madonna, contagiada pela nova batida começou a entoar Fever, assim meio de brincadeira. O resultado ficou tão bom que Goodbye to Innocence acabou descartada do CD para dar lugar a Fever. Foram produzidas várias versões diferentes, das quais destacam-se a versão do álbum e esta apelidada de Edit One, a favorita de Madonna, utilizada tanto no vídeo original quanto na turnê Girlie Show. Assim como o fez com a rainha do pop, Fever seduziu vários intérpretes ao longo dos anos. Alguns deles, como a cubana La Lupe, levaram na brincadeira, outros transformam em um hino de sedução, como Elvis Presley.

Certa feita, num café de Porto Alegre, o Rodrigo sugeriu que eu fizesse uma coletânea só de Fever. Aceitei o desafio e depois de ouvir dezenas de versões, selecionei para vocês as 13 mais legais. Atentem para a Fiebre do espanhol Miguel Ríos, o arranjo fabuloso na original de Sarah Vaughan e os remixes deliciosos no final. Achei adequado que a última compilation do ano tivesse esse tom, para entrarmos 2008 com muita febre.

1. Peggy Lee - FEVER (3:19)
2. Sarah Vaughan - FEVER (2:50)
3. La Lupe - FEVER (2:49)
4. Elvis Presley - FEVER (3:34)
5. Norma Benguell - FEVER (2:11)
6. Bette Midler - FEVER (3:38)
7. Michael Bublé - FEVER (3:52)
8. Miguel Rios - FIEBRE (En Directo) (4:09)
9. Ray Charles & Natalie Cole - FEVER (3:30)
10. Daniel Ash - FEVER (4:26)
11. Madonna - FEVER (Edit One) (4:02)
12. Peggy Lee - FEVER (Gabin Remix) (4:03)
13. Sarah Vaughan - FEVER (Adam Freeland Mix) (4:38)

26.2.08

Work work work


Katherine Heigl, muito Marilyn Monroe, no seu indefectível vestidinho Escada, nos bastidores do Kodak Theater


Eu preciso respirar um pouco que seja. São no mínimo 12 horas em frente ao laptop desde domingo.

| Pela primeira vez em anos, a festa do Oscar foi uma delícia de se ver, tirando é claro, as imbecilidades do senhor aquele que "comenta" a festa pela rede Globo. "O que você achou desta premiação ao Ultimato Bourne, Wilker?" ele responde: "Achei que é isso mesmo, é um filme barulhento, então merece o prêmio de som". Aí, nas montagens, ele só dizia "ah, este é muito bom", sem nem saber o título do filme em português. Ele estava torcendo para Juno e Desejo e Reparação, claro. Os dois filmes mais fracos da premiação. (Não que não sejam acima da média, até são). Mas olha, só de ver os atores e coadjuvantes escolhidos já se re-estabeleceu a minha fé na Acadimia, como dizia tão lindamente a falecida tradutora Elisabeth Heart, ídola deste que vos escreve. Onde Os Fracos Não Têm Vez é o filme do ano sim, não se leva a sério demais e traz de carona uma relevante reflexão sobre a violência e a turva linha que separa realidade e ficção.

| O que tem me salvado da completa abobalhagem nesses dias é a corrida no final de tarde. Não tem nada mais revigorante.

Eu não canso de ver isto:


Marion Cotillard abraçada em Forest Withaker depois de receber o prêmio

25.2.08

OSCAR em fotos


O espectro elegante de Tilda Swinton


A linda Cotillard, Miss Simpatia


Cada país tem a Bruna Surfistinha que merece (Diablo Cody)


O casal mais lindo da noite: Diane Lane e Josh Brolin


Os ogros: Colin Farrell e Johnny Depp


Bardem, o primeiro ator espanhol a ganhar um Oscar


A mais deslumbrante da noite, Hilary Swank

24.2.08

Oscar Time - Um ator, um roteiro

Hoje, na cerimônia do Oscar uma das únicas categorias praticamente garantidas é o prêmio de melhor ator para Daniel Day Lewis, por sua atuação em Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007), o mais ousado filme de Paul Thomas Anderson. Mas o segundo na lista de favoritos é Tommy Lee Jones, por sua belíssima interpretação do pai cujo filho desaparece misteriosamente semanas depois de voltar do Afeganistão em No Vale Das Sombras (In The Valley of Elah, 2007), de Paul Haggis (o mesmo do genial Crash - No Limite).

A busca incansável pelo filho, à certa altura, se converte em uma investigação policial liderada por Charlize Theron (também inspiradíssima) nesta parábola sobre caráter e os efeitos quase irreversíveis que a guerra traz para aqueles muito jovens para lidar com ela. Destaca-se também Susan Sarandon no papel da mãe amorfinada pela perda do filho, em algumas das cenas mais marcantes do longa. Mais uma vez (assim como em Onde os Fracos Não Têm Vez e O Gangster) Josh Brolin faz um coadjuvante competente, com seu jeito de malandro e sua capacidade de antagonizar qualquer mocinho. O roteiro de Haggis basea-se numa história verídica que serve de exemplo para a neurose americana mais em voga no momento: as sequelas violentas da guerra.

O canadense Ryan Gosling é, de fato, um excelente ator. Depois de concorrer ao Oscar no ano passado por Half Nelson, dividiu a tela com Anthony Hopkins em Um Crime de Mestre (Rapture, 2006) e voltou para o cinema independente com este criativo Lars and The Real Girl (2007) no papel do tímido e introspectivo Lars que encomenda uma namorada de latex pela internet, já que não suporta o contato humano. A "garota de verdade" do título é uma boneca anatomicamente idêntica a uma mulher (em tudo) chamada Bianca ("ela é metade brasileira e metade romena" diz ele quando apresenta a moça para a família).

O mais curioso do filme é que naquela cidade pequena em que a história se passa, todos colaboram com a farsa e tratam Bianca como se ela fosse de verdade, a fim de demonstrar seu apreço e carinho pelo protagonista. O roteiro, indicado ao Oscar este ano, é tão bem amarrado que até o espectador passa a ver a boneca com um olhar mais humano e, pouco a pouco, entende de onde vem a neurose de Lars, muito graças à ótima personagem de Patricia Clarkson, a psicóloga que faz sentido dessa loucura aparente. Lars and the Real Girl é um exemplo de como os roteiros andavam criativos em 2007.

23.2.08

Oscar Time - Atores/Diretores

Ben Affleck estreia na direção adaptando o romance Gone, Baby, Gone, de Dennis Lehane (o autor do sucesso Sobre Meninos e Lobos), em Medo da Verdade (2007). A temática é bastante parecida com a da adaptação feita por Clint Eastwood em 2004, subúrbios marginais, rapto e estupro de crianças, armadilhas morais e um protagonista em constante provação. Casey Affleck mais uma vez se prova como um grande ator que, apesar da cara de bebê, tem estrutura de sobra para interpretar um personagem perturbado pela falta de equilíbrio entre aquilo que é certo e a verdade. No entanto, quem ganhou uma indicação ao Oscar foi a coadjuvante Amy Ryan, no papel dificílimo da mãe viciada que "perde" a filha e resolve contratar Affleck e sua parceira para encontrá-la. Conforme as esperanças ficam cada vez mais escassas, camadas de ficção e realidade se revelam para culminar num final surpreendente e chocante.

Destaque para Ed Harris, como sempre interpretando um personagem moralmente desprezível, e Morgan Freeman como o comissário de polícia cansado do crime e marcado por um acontecimento traumático do passado.

Um filme de mistério inteligente e tocante como há muito não se fazia.

Dois grandes méritos de Na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007), dirigido pelo também ator Sean Penn, foram reconhecidos este ano pela Academia: a edição inventiva e moderna e o ator coadjuvante Hal Holbrook, responsável por talvez a melhor cena do filme, lá nos 40 minutos do segundo tempo.

O filme retrata o que se pode considerar a história "verdadeira" de Christopher Johnson McCandless, o rapaz que abandonou a vida universitária para experimentar o contato com a natureza, perambulando pelos Estados Unidos sem um tostão no bolso. Emile Hirsh é o protagonista e o faz de uma forma muito competente, misturando ingenuidade com determinação. O elenco de apoio ainda conta com Marcia Gay Harden, William Hurt, Catherine Keener, Vince Vaughn e Jena Malone, todos à sua maneira contribuindo para compor uma história carregada de emoção e sentimentos respresados. A trilha sonora, composta por Eddie Vedder (do Pearl Jam) é o perfeito acompanhamento para esta viagem a territórios áridos e remotos de uma América que pouca gente conhece.

22.2.08

Compilation | Re-edição


1. Señor Coconut - Introdución (1:15)
2. Goldfrapp - Human (Calexico* Vocal Mix) (4:47)
3. Calexico* - Quattro (GoTan Project Remix) (4:48)
4. Serge Gainsbourg - Ballade de Melodie Nelson (Howie B. mix) (7:03)
5. Placebo - Protège Moi (m83 Remix) (3:19)
6. Sade feat. Guru - King of Sorrow Remix (3:48)
7. Nancy Sinatra & Lee Hazelwood - Summer Wine (4:16)
8. Senor Coconut - Smooth Operator (4:03)
9. Tori Amos - A Sorta Fairytale (4:06)
10. Yazz - Never Can Say Goodbye (3:51)
11. Tanita Tikaram - The Day Before You Came (4:25)
12. kd lang - Bird On A Wire (4:28)
13. Michael Stipe - L'hôtel (l'hôtel particulier) (4:27)
14. Nina Persson - Losing my religion (4:14)
15. Rebekah Del Rio - Llorando (Crying) (3:32)

Oscar Time - Grandes Diretores, Grandes Bandidos

Esquecidos pela Academia, David Cronenberg e Ridley Scott lançaram este ano seus melhores filmes.

O submundo da máfia russa não é exatamente popular no cinema tradicional, talvez por isso Senhores do Crime (Eastern Promises, 2007), de David Cronenberg seja tão impactante e sedutor. Nele, Naomi Watts faz uma enfermeira que investiga o paradeiro da família de um bebê nascido em seu hospital cuja mãe não sobreviveu ao parto. Enquanto traduz o diário da falecida russa, Watts entra em contato com uma das mais perigosas famílias da máfia sem saber da encrenca em que está se metendo. Viggo Mortensen é capanga da tal máfia e babá do demente Vincent Cassel, um psicopata infantil e perturbado.

Os personagens desta grande realização se revelam cada vez mais surpreendentes através da interpretação hipnotizante dos atores e da direção sempre inovadora de Cronenberg. Espere surpresas e reviravoltas bem boladas nesse olhar cruel, contundente e de impacto visual inegável que é Senhores do Crime. Um passo à frente de Marcas da Violência (A History of Violence, 2005), aqui está a evolução estética do diretor e a maturação de Viggo Mortensen como ator. Não é de espantar, portanto, que tenha sido indicato na categoria de Melhor Ator no Oscar deste ano. Deve perder para Daniel Day-Lewis, claro, mas merece o mérito da indicação.

Merecia muito mais. Faça um favor a si mesmo e assista, assim que possível, a Senhores do Crime.

Ridley Scott começou sua carreira no cinema com uma grande bola dentro: Blade Runner. Um dos maiores cult movies da história, certamente o maior de sua geração - ele já havia anunciado seu talento em Alien três anos antes. O problema é que depois dele o diretor não foi tão feliz nas escolhas que fez. Voltou à forma só em 2006, com Um Bom Ano (A Good Year). Em O Gangster (American Gangster, 2007), repete a parceria com Russel Crowe e finca sua bandeira no terreno dos grandes estetas do cinema.

Há muita controvérsia a respeito de o quão verídica é a versão do filme para a história do verdadeiro gangster, Frank Lucas, mas nada que tire qualquer mérito do filme. Danzel Washington vive Lucas, o primeiro grande gangster negro dos Estados Unidos e Crowe é um dos únicos policiais honestos da Nova York dos anos 60 e 70, incansável em descobrir o funcionamento da máfia comandada pelo bandidão de ternos bem cortados. Além da trama muito bem contada, o filme ainda se calca nas ótimas atuações do elenco. A trilha é um primor e nos guia nessa viagem pelas décadas mais criativas da música americana. Um filme super bem acabado, com cenas inesquecíveis, elenco de primeira e visual caprichadíssimo. Precisa mais?

Concorre a Direção de Arte e Atriz Coadjuvante (Ruby Dee, por incríveis 5 minutos de tela).

21.2.08

Oscar Time - Longe Dela


Não parece um filme dirigido por uma jovem estreante, mas Longe Dela (Away From Her, 2007) é obra da atriz Sarah Polley (a queridinha de Isabel Coixet, de Minha Vida Sem Mim e A Vida Secreta das Palavras) que adaptou o conto de Alice Munro chamado The Bear Came Over the Mountain e transformou em um filme sensível com soluções simples porém eficazes para falar a respeito do Mal de Alzheimer através de duas perspectivas: a de quem sofre do mal e a de quem acompanha o doente.

Julie Christie (Fiona), que conheceu Polley durante as filmagens de A Vida Secreta..., faz por merecer sua indicação ao Oscar de melhor atriz em momentos de rara inspiração e prova que aos 66 anos uma mulher pode ser sexy e atraente. Bem, ela pode.

Senti falta de uma indicação mais do que justa para Gordon Pinset, o fiel e persistente marido de Fiona, cuja presença na tela cresce de forma impressionante do meio para o final do filme.

Longe Dela concorre nas categorias de Atriz e Roteiro Adaptado e tem chances genuínas de levar os dois prêmios. Mas é difícil prever qualquer categoria em que estejam concorrendo Sangue Negro e Onde os Fracos Não Têm Vez.

*Quem tiver interesse de ler o conto de Alice Munro, em inglês, pode fazê-lo aqui. O livro com o conto saiu no Brasil pela Editora Globo e chama-se Ódio Amizade Namoro Amor Casamento.

19.2.08

Oscar Time - O Escafandro e a Borboleta


Há muitos anos Johnny Depp brigava para adaptar a autobiografia de Jean-Dominique Bauby, O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et le Papillon, 2007), de olho no papel principal. Graças a Deus, ele estava muito ocupado fazendo Jack Sparow quando o diretor Julien Schnabel recebeu o ok para começar as filmagens. Ninguém poderia fazer Bauby com tanta perfeição e sensibilidade quanto o consagrado ator francês Mathieu Amalric. O protagonista era um bem-sucedido editor da revista Elle francesa que, depois de sofrer um AVC, perde todos os movimentos, com excessão da pálpepra esquerda. Através de um sistema em que a fonoaudióloga dita as letras e ele as escolhe piscando o olho, Bauby escreveu o livro, para morrer 4 dias depois de seu lançamento.

A forma escolhida por Schnabel para transpor à linguagem cinematográfica o ponto de vista de Bauby é uma das coisas mais deslumbrantes mostradas no cinema dos últimos 10 anos. Uma viagem acachapante e, por vezes, dolorosa a um universo jamais experimentado pelo espectador. No fim das contas, é para ver obras como esta que a gente vai ao cinema.

Concorre a Direçao, Roteiro Adaptado, Fotografia e Edição. Merecia pelo menos 2 desta lista, mas a concorrência com os queridinhos do momento deve atrapalhar.

Tem estréia marcada para o dia 29 de fevereiro aqui em terras brasileiras.

18.2.08

Oscar Time - Jesse James, Charlie Wilson e Michael Clayton

Aos poucos você vai percebendo quem é a estrela de O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford (The Assassination of Jesse James By The Coward Robert Ford, 2007). Casey Affleck, irmão de Ben Affleck, vai aos poucos revelando ao espectador a obsessão de Robert Ford pelo bandido mais famoso dos Estados Unidos, de forma contida e que ganha mais profundidade a cada frame. A ponto de marcar uma forte presença de cena mesmo perante o magnetismo quase irresistível de Brad Pitt. Affleck este ano deu o azar de concorrer com o imbatível Javier Barden na categoria de melhor ator coadjuvante, mas pelo menos já mostra a que veio.

A fotografia de Jesse James é uma das mais primorosas dos últimos tempos, o que não é exatamente uma surpresa, já que o diretor de fotografia é o mesmo de Onde Os Fracos Não Têm Vez, Roger Deakins, concorrente ao Oscar na categoria pelos dois filmes.

A beleza da fotografia não esmaece nos exagerados 160 minutos de filme, o que já um grande mérito.

É uma pena que Jogos do Poder (Charlie Wilson's War, 2007) esteja no páreo dos prêmios da Academia apenas pela atuação de Philip Seymour Hoffman, coadjuvante de Tom Hanks e Julia Roberts.

O diretor Mike Nichols (de Closer, Angels in America e A Primeira Noite de um Homem) adaptou de forma bem-humorada o romance de George Crile, sobre o congressista americano que manda bilhões de dólares para treinar e armamentar o Afeganistão nos anos 80, com a intenção de defendê-los da ameaça comunista russa.

Tom Hanks é o personagem do título original, um congressista caipira e bonachão amante da ricaça Julia Roberts, lindíssima e exibindo um sotaque texano hilário. Seymour Hoffman faz um agente do FBI responsável pelas investidas no Oriente Médio, com aquele mal humor de sempre, num personagem que lembra muito o que fez em Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto.

Poderia muito bem concorrer pelo menos a roteiro adaptado e atriz coadjuvante.



Quando Conduta de Risco (Michael Clayton, 2007) terminou, eu não sabia se havia gostado dele ou não. Achei que o roteiro abusa das idas e vindas, tornando uma história que poderia ser simples em algo exageradamente complexo. George Clooney também não ajuda, fazendo aqui o mesmo personagem que sempre fez em toda sua filmografia: o cara mais cool do pedaço a quem sempre falta profundidade. Salvam magistralmente o filme Tilda Swinton (minha aposta para atriz coadjuvante) e Tom Wilkinson, o advogado em crise existencial que lembra muito o jornalista louco/profeta interpretado por Peter Finch em Rede de Intrigas (1976).

Já disseram por aí que Conduta de Risco é uma Erin Brockovich de calças. O que não deixaria de ser verdade, não fosse seu protagonista inexpressivo. A história é muito parecida, um grupo de advogados defende uma grande empresa poluidora, até que sua maior estrela (Wilkinson) sofre um colapso nervoso e resolve mudar de lado e defender as famílias afetadas. Aí chega Michael Clayton (Clooney) para limpar a bagunça e acalmar os ânimos da nervosinha representante da tal empresa, Tilda Swinton. Um filme pretencioso que não faz juz a tantas indicações.

Indicações: Melhor Filme, Diretor (Tony Gilroy), Ator (George Clooney), Ator Coadjuvante (Tom Wilkinson), Atriz Coadjuvante (Tilda Swinton), Roteiro Original e Trilha.

17.2.08

Sunday Classics


Audrey Hepburn e Julie Andrews | 5 de abril de 1965, na cerimônia do Oscar em que Andrews ganhou o prêmio de melhor atriz por Mary Poppins. Audrey concorria por My Fair Lady, mas a derrota não a impediu de dar um abraço na colega. Ainda que estampando esta cara de quem comeu e não gostou.

15.2.08

Compilation | Re-edição


Re-edição de faixas acústicas para refrescar a cuca à beira-mar. Mesmo que este mar seja apenas uma sacada iluminada.

1. David Bowie - Heroes (6:34)
2. Snow Patrol - Blower's Daughter (3:39)
3. Fuel - Daniel (Elton John Cover) (4:40)
4. Dirty Vegas - Days Go By (2:43)
5. Keane - Everybody's Changing (3:31)
6. Dido - Here With Me (3:51)
7. Madonna - Like a Virgin (live in Paris) (3:30)
8. Pet Shop Boys - Suburbia (live in Brazil) (2:51)
9. Seal - Crazy (4:04)
10. Sheryl Crow - My Favorite Mistake (3:59)
11. Annie Lennox - River Deep Mountain High (live at the Montreux Jazz Festival) (3:44)
12. Texas - sleep (live at Abbey Road)(3:57)
13. The Cardigans - Erase and Rewind (3:41)
14. Erasure - Tenderest Moments (live in London)(5:36)
15. The Killers - Mr. Brightside (3:52)
16. Hole - Malibu (5:49)
17. Fernanda Abreu - Rock With You (3:34)

14.2.08

Oscar Time - Sweeney Todd


Um dos maiores pecados dos estúdios e distribuidores ao divulgarem Sweeney Todd, O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet é que eles esqueceram (ou melhor, "esqueceram") de avisar nos trailers e materiais de divulgação que é um musical com meia dúzia de diálogos. Sim, se você pensou "deve ser uma chatice", acertou. Não que todo musical seja chato, vide Across The Universe, recente representante do gênero baseado nas canções dos Beatles, lindíssimo e envolvente.

Muito embora Sweeney Todd seja, como tudo que Tim Burton dirige, impecável visualmente, seu roteiro não tem uma nesga sequer de humanidade e alma, além de não propor nada de novo. É um filme meramente alegórico para se assistir uma vez na vida, naqueles dias em que não há nada mais interessante a fazer. Ou se, como eu, você estava morrendo de curiosidade de ver o filme novo de Tim Burton. Mas esteja avisado.

Concorre ao Oscar na categoria de Melhor Ator, Direção de Arte e Figurino.

12.2.08

Oscar Time - Persepolis


Injustiçado por não ter sido indicado a melhor filme de língua estrangeira, Persepolis é uma das melhores animações que eu já vi e um grande filme sob qualquer ponto de vista. Baseado na história em quadrinhos autobiográfica de Marjane Satrape (também diretora do longa), Persepolis conta a história da menina iraniana que cresce durante o regime da Revolução Islâmica nos idos dos anos 70. Adolescente, é mandada pelos pais para a Europa, onde não consegue se adaptar e por isso volta para o Irã. As aventuras de Marjane representam o olhar contemporâneo sobre o absurdo dos regimes radicais e suas crenças irracionais. Persepolis é um filme adulto feito para adultos, com visual requintado e as vozes de Catherine Deneuve e Chiara Mastroianni (filha de Deneuve com Marcello Mastroianni, coitada), além de uma trilha sonora primorosa.

Concorre ao Oscar de Melhor Longa de Animação, mas pode perder para o lindíssimo Ratatouille.

9.2.08

Compilation | Re-edição



Gosto muito desta coletânea e, já que deve chover no final de semana por aqui, resolvi re-editar, desta vez pelo Pando.

1. Pet Shop Boys - Love Comes Quickly (Blank & Jones Mix) (5:06)
2. Propellerheads feat Shirley Bassey - History Repeating (hip length mix) (3:17)
3. Nina Simone - Feelin' Good (Joe Claussell remix) (6:04)
4. Thievery Corporation - Until The Morning (3:56)
5. Mono - Life In Mono (3:45)
6. Jane Birkin - Harvest Moon (3:03)
7. Corinne Bailey Rae - Enchantment (Amp Fiddler Remix) (3:24)
8. Dave Gahan - I Need You (4:45)
9. Etienne Daho - If (en duo avec Charlotte Gainsbourg) (3:31)
10. Metrô - Olhar (2002) (4:13)
11. Bill Withers - Aint No Sunshine (remix) (5:45)
12. Luscious Jackson - I've Got A Crush On You (3:30)

4.2.08

1979


Notem que eu era o único folião feliz no gurpo.

De hoje em diante...

Há quatro anos eu, de coração estraçalhado, conversava com meu melhor amigo. Tomei uma daquelas resoluções definitivas que, acho, todo mundo toma quando termina um relacionamento importante. "Eu só vou gostar de quem gosta de mim" - disse eu. Ele encorajou dizendo "Isso mesmo, rapaz!" e aquelas coisas que os bons amigos dizem na falta de algo mais sábio - acredite, simplesmente não há nada sábio a se dizer num momento desses, o negócio é encorajar mesmo. Eu e a minha mania de achar uma música pra tudo. "Não vai ser fácil, eu bem sei". E não foi mesmo. Até porque a minha configuração de fábrica era gostar e admirar só (ou mais intensamente) quem não gostava de mim. Foram anos sozinho e pensando, pensando, pensando. Sempre re-avaliando, constantemente me chicoteando as costas - "seu idiota!", "seu burro!", "topeira!", "Hildaaaaa!". Mas eu não sou padre católico pra me chicotear em punição a desejo algum (longe disso). E cheguei à suave conclusão de que na vida tudo são processos, os sentimentos se transformam e não há razão para se perder tempo com o que poderia ser. Agora eu vou suavemente aprendendo a só gostar de quem gosta de mim.

| Na falta de coisa melhor, ouça Vaetano Caloso cantando a música:

1.2.08

Carnaval sem poeira

Bem, hoje não tem compilation. Mas para quem, como eu, não tem a mínima vontade de levantar poeira-aa, selecionei na web, uns álbuns bem interessantes.

O Umquetenha (excelente blog de música brasileira) nos eferece esta obra-prima de Astrud Gilberto, mais jazz do que Bossa Nova - essencial.

Entre as músicas, versões em espanhol de Love Story e For All We Know, além de Travelin' Light. Arranjos inacreditáveis de Eumir Deodato, sax de Stanley Turrentine e aquele charme que só Astrud tem.

Gilberto and Turrentine é de 1971 e continua um álbum impecável.

Aproveitem também para vasculhar os arquivos do umquetenha, tem coisas muito legais e raras por lá.



O novo de Sheryl Crow, Detours sai oficialmente semana que vem, mas você já pode baixá-lo aqui.

Eu gosto muito da voz de Sheryl Crow e acho que das cantoras de sua época, ela é quem melhor compõe e arranja suas canções. Aquele ar meio folk e sutis pitadas eletrônicas em contraponto aos violões e guitarras fazem dela um upgrade saudável se comparada a gente do porte de Bod Dylan ou Janis Joplin. Ao contrário de seus antecessores, Sheryl soa pra cima e sofisticada.
Detours é um álbum excelente para ser ouvido de uma vez só. Claro que você certamente vai voltar a Love is Free até cansar.



O novo de Lauryn Hill não é bem novo. Na verdade, Ms. Hill é uma compilação de canções lançadas pela cantora tanto nos álbuns oficiais quanto em singles e trilhas sonoras ao longo dos anos. Senti a falta de Turn Your Lights Down Low, dueto póstumo com Bob Marley e uma das melhores coisas que a cantora já fez e Can't Take My Eyes Off You. Mas tem The Sweetest Thing, Do Wop (That Thing), The Ex-Factor, Lost Ones e Guantanamera.

Baixe no ótimo blog Boom Bap.