4.2.08

De hoje em diante...

Há quatro anos eu, de coração estraçalhado, conversava com meu melhor amigo. Tomei uma daquelas resoluções definitivas que, acho, todo mundo toma quando termina um relacionamento importante. "Eu só vou gostar de quem gosta de mim" - disse eu. Ele encorajou dizendo "Isso mesmo, rapaz!" e aquelas coisas que os bons amigos dizem na falta de algo mais sábio - acredite, simplesmente não há nada sábio a se dizer num momento desses, o negócio é encorajar mesmo. Eu e a minha mania de achar uma música pra tudo. "Não vai ser fácil, eu bem sei". E não foi mesmo. Até porque a minha configuração de fábrica era gostar e admirar só (ou mais intensamente) quem não gostava de mim. Foram anos sozinho e pensando, pensando, pensando. Sempre re-avaliando, constantemente me chicoteando as costas - "seu idiota!", "seu burro!", "topeira!", "Hildaaaaa!". Mas eu não sou padre católico pra me chicotear em punição a desejo algum (longe disso). E cheguei à suave conclusão de que na vida tudo são processos, os sentimentos se transformam e não há razão para se perder tempo com o que poderia ser. Agora eu vou suavemente aprendendo a só gostar de quem gosta de mim.

| Na falta de coisa melhor, ouça Vaetano Caloso cantando a música:

6 comentários:

  1. Caramba... e o processo ainda continua? Acho que defini isso também pra mim, mas a pergunta é a seguinte... isso é o tipo de escolha que a gente tem mesmo poder pra fazer acontecer? Ou vai ser sempre uma intenção, que quando a primeira paixão bater - vai por água abaixo? Tenho cá minha sdúvidas se é questão de força de vontade... o que acha?

    ResponderExcluir
  2. Acho, Lenissa, que passa longe de ser uma questão de força de vontade. Pra mim, pelo menos, a primeira coisa que aconteceu foi que eu me dei conta do que estava havendo nas internas, depois busquei ajuda através da psicoterapia e fui aos poucos entendendo como o jogo funcionava para poder jogar sabendo das regras. É o único jeito de a gente ganhar uma partida sabendo porque ganhou. Porque, convenhamos, jogar contra a própria mente e sair perdendo sem saber por que é o fim da picada.

    Conheço pessoas que disseram ter mudado completamente essa "configuração" sem precisar de terapia (porque não acreditam nela). Pra cada um funciona de um jeito.

    Que é uma escolha eu não tenho dúvida, muito embora não seja uma escolha racional.

    Eu só dei meu testemunho.

    ResponderExcluir
  3. dar-se conta "do que estava havendo nas internas" e entender as regras do jogo... auto-conhecimento é a única forma de pelo menos manter as rédeas da sua cabeça, quando tudo o mais não seguir regra nenhuma. Adorei seu depoimento.
    Papo-kbeça pra segunda-feira de carnaval, mas pra chuva que está aqui no Rio é uma ótima opção.
    Beijão

    ResponderExcluir
  4. Ah, desculpa, mas eu ri muito com o encorajamento do teu amigo. :D
    adorei.

    e é uma boa mania ter músicas pra tudo, eu também tenho; quem canta seus males espanta. :)

    ResponderExcluir
  5. Este lance de gostar de quem não te dá a mínima faz parte da natureza do ser-humano, que é um bicho complicado.

    Mas, o destino tem caminhos bem tortuosos, e no final, o encontro é inevitável.

    Eu acredito neste encontro.

    Fica ligado, coisa perfeita!

    ResponderExcluir
  6. Claudinha de POA5:01 PM

    Alex, guri, e eu que só me envolvo em relacionamentos complicados ?!!!
    Caras confusos, com "ex" confusas, que não dão e nem descem (os caras, é claro!) ...
    Batata !!
    E eu sofrendo de tabela, aguardando o final da história.
    E quando me é favorável ... desencanto !!
    Pode?!
    Claro que pode, eu garanto...
    Cármico, meu filho, prá não dizer trágico e cômico, quando olhado à distância.
    Beijos no coração e te cuida.

    ResponderExcluir