22.2.08

Oscar Time - Grandes Diretores, Grandes Bandidos

Esquecidos pela Academia, David Cronenberg e Ridley Scott lançaram este ano seus melhores filmes.

O submundo da máfia russa não é exatamente popular no cinema tradicional, talvez por isso Senhores do Crime (Eastern Promises, 2007), de David Cronenberg seja tão impactante e sedutor. Nele, Naomi Watts faz uma enfermeira que investiga o paradeiro da família de um bebê nascido em seu hospital cuja mãe não sobreviveu ao parto. Enquanto traduz o diário da falecida russa, Watts entra em contato com uma das mais perigosas famílias da máfia sem saber da encrenca em que está se metendo. Viggo Mortensen é capanga da tal máfia e babá do demente Vincent Cassel, um psicopata infantil e perturbado.

Os personagens desta grande realização se revelam cada vez mais surpreendentes através da interpretação hipnotizante dos atores e da direção sempre inovadora de Cronenberg. Espere surpresas e reviravoltas bem boladas nesse olhar cruel, contundente e de impacto visual inegável que é Senhores do Crime. Um passo à frente de Marcas da Violência (A History of Violence, 2005), aqui está a evolução estética do diretor e a maturação de Viggo Mortensen como ator. Não é de espantar, portanto, que tenha sido indicato na categoria de Melhor Ator no Oscar deste ano. Deve perder para Daniel Day-Lewis, claro, mas merece o mérito da indicação.

Merecia muito mais. Faça um favor a si mesmo e assista, assim que possível, a Senhores do Crime.

Ridley Scott começou sua carreira no cinema com uma grande bola dentro: Blade Runner. Um dos maiores cult movies da história, certamente o maior de sua geração - ele já havia anunciado seu talento em Alien três anos antes. O problema é que depois dele o diretor não foi tão feliz nas escolhas que fez. Voltou à forma só em 2006, com Um Bom Ano (A Good Year). Em O Gangster (American Gangster, 2007), repete a parceria com Russel Crowe e finca sua bandeira no terreno dos grandes estetas do cinema.

Há muita controvérsia a respeito de o quão verídica é a versão do filme para a história do verdadeiro gangster, Frank Lucas, mas nada que tire qualquer mérito do filme. Danzel Washington vive Lucas, o primeiro grande gangster negro dos Estados Unidos e Crowe é um dos únicos policiais honestos da Nova York dos anos 60 e 70, incansável em descobrir o funcionamento da máfia comandada pelo bandidão de ternos bem cortados. Além da trama muito bem contada, o filme ainda se calca nas ótimas atuações do elenco. A trilha é um primor e nos guia nessa viagem pelas décadas mais criativas da música americana. Um filme super bem acabado, com cenas inesquecíveis, elenco de primeira e visual caprichadíssimo. Precisa mais?

Concorre a Direção de Arte e Atriz Coadjuvante (Ruby Dee, por incríveis 5 minutos de tela).

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