18.2.08

Oscar Time - Jesse James, Charlie Wilson e Michael Clayton

Aos poucos você vai percebendo quem é a estrela de O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford (The Assassination of Jesse James By The Coward Robert Ford, 2007). Casey Affleck, irmão de Ben Affleck, vai aos poucos revelando ao espectador a obsessão de Robert Ford pelo bandido mais famoso dos Estados Unidos, de forma contida e que ganha mais profundidade a cada frame. A ponto de marcar uma forte presença de cena mesmo perante o magnetismo quase irresistível de Brad Pitt. Affleck este ano deu o azar de concorrer com o imbatível Javier Barden na categoria de melhor ator coadjuvante, mas pelo menos já mostra a que veio.

A fotografia de Jesse James é uma das mais primorosas dos últimos tempos, o que não é exatamente uma surpresa, já que o diretor de fotografia é o mesmo de Onde Os Fracos Não Têm Vez, Roger Deakins, concorrente ao Oscar na categoria pelos dois filmes.

A beleza da fotografia não esmaece nos exagerados 160 minutos de filme, o que já um grande mérito.

É uma pena que Jogos do Poder (Charlie Wilson's War, 2007) esteja no páreo dos prêmios da Academia apenas pela atuação de Philip Seymour Hoffman, coadjuvante de Tom Hanks e Julia Roberts.

O diretor Mike Nichols (de Closer, Angels in America e A Primeira Noite de um Homem) adaptou de forma bem-humorada o romance de George Crile, sobre o congressista americano que manda bilhões de dólares para treinar e armamentar o Afeganistão nos anos 80, com a intenção de defendê-los da ameaça comunista russa.

Tom Hanks é o personagem do título original, um congressista caipira e bonachão amante da ricaça Julia Roberts, lindíssima e exibindo um sotaque texano hilário. Seymour Hoffman faz um agente do FBI responsável pelas investidas no Oriente Médio, com aquele mal humor de sempre, num personagem que lembra muito o que fez em Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto.

Poderia muito bem concorrer pelo menos a roteiro adaptado e atriz coadjuvante.



Quando Conduta de Risco (Michael Clayton, 2007) terminou, eu não sabia se havia gostado dele ou não. Achei que o roteiro abusa das idas e vindas, tornando uma história que poderia ser simples em algo exageradamente complexo. George Clooney também não ajuda, fazendo aqui o mesmo personagem que sempre fez em toda sua filmografia: o cara mais cool do pedaço a quem sempre falta profundidade. Salvam magistralmente o filme Tilda Swinton (minha aposta para atriz coadjuvante) e Tom Wilkinson, o advogado em crise existencial que lembra muito o jornalista louco/profeta interpretado por Peter Finch em Rede de Intrigas (1976).

Já disseram por aí que Conduta de Risco é uma Erin Brockovich de calças. O que não deixaria de ser verdade, não fosse seu protagonista inexpressivo. A história é muito parecida, um grupo de advogados defende uma grande empresa poluidora, até que sua maior estrela (Wilkinson) sofre um colapso nervoso e resolve mudar de lado e defender as famílias afetadas. Aí chega Michael Clayton (Clooney) para limpar a bagunça e acalmar os ânimos da nervosinha representante da tal empresa, Tilda Swinton. Um filme pretencioso que não faz juz a tantas indicações.

Indicações: Melhor Filme, Diretor (Tony Gilroy), Ator (George Clooney), Ator Coadjuvante (Tom Wilkinson), Atriz Coadjuvante (Tilda Swinton), Roteiro Original e Trilha.

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