24.2.08

Oscar Time - Um ator, um roteiro

Hoje, na cerimônia do Oscar uma das únicas categorias praticamente garantidas é o prêmio de melhor ator para Daniel Day Lewis, por sua atuação em Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007), o mais ousado filme de Paul Thomas Anderson. Mas o segundo na lista de favoritos é Tommy Lee Jones, por sua belíssima interpretação do pai cujo filho desaparece misteriosamente semanas depois de voltar do Afeganistão em No Vale Das Sombras (In The Valley of Elah, 2007), de Paul Haggis (o mesmo do genial Crash - No Limite).

A busca incansável pelo filho, à certa altura, se converte em uma investigação policial liderada por Charlize Theron (também inspiradíssima) nesta parábola sobre caráter e os efeitos quase irreversíveis que a guerra traz para aqueles muito jovens para lidar com ela. Destaca-se também Susan Sarandon no papel da mãe amorfinada pela perda do filho, em algumas das cenas mais marcantes do longa. Mais uma vez (assim como em Onde os Fracos Não Têm Vez e O Gangster) Josh Brolin faz um coadjuvante competente, com seu jeito de malandro e sua capacidade de antagonizar qualquer mocinho. O roteiro de Haggis basea-se numa história verídica que serve de exemplo para a neurose americana mais em voga no momento: as sequelas violentas da guerra.

O canadense Ryan Gosling é, de fato, um excelente ator. Depois de concorrer ao Oscar no ano passado por Half Nelson, dividiu a tela com Anthony Hopkins em Um Crime de Mestre (Rapture, 2006) e voltou para o cinema independente com este criativo Lars and The Real Girl (2007) no papel do tímido e introspectivo Lars que encomenda uma namorada de latex pela internet, já que não suporta o contato humano. A "garota de verdade" do título é uma boneca anatomicamente idêntica a uma mulher (em tudo) chamada Bianca ("ela é metade brasileira e metade romena" diz ele quando apresenta a moça para a família).

O mais curioso do filme é que naquela cidade pequena em que a história se passa, todos colaboram com a farsa e tratam Bianca como se ela fosse de verdade, a fim de demonstrar seu apreço e carinho pelo protagonista. O roteiro, indicado ao Oscar este ano, é tão bem amarrado que até o espectador passa a ver a boneca com um olhar mais humano e, pouco a pouco, entende de onde vem a neurose de Lars, muito graças à ótima personagem de Patricia Clarkson, a psicóloga que faz sentido dessa loucura aparente. Lars and the Real Girl é um exemplo de como os roteiros andavam criativos em 2007.

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