25.8.08

Canções de Amor


Christophe Honoré dirige Louis Garrel

O personagem de Louis Garrel em Canções de Amor (Les Chansons D'Amour, 2007) é um cara que começa o filme com duas namoradas em um triângulo amoroso, para logo após a morte de uma delas, tornar-se um cético desiludido. Não há muito no filme que nos aguce a empatia imediata, é tudo muito diferente da realidade. É difícil imaginar no Brasil, por exemplo, um homem de 30 anos cantando por bulevares enquanto pergunta a Deus onde ele anda. O niilismo definitivamente não combina conosco, afinal de contas, aqui é a terra do "Não chore, Deus vai dar" - e que é assunto para uma outra conversa.

Acho que o longa engancha o espectador justamente no quesito desilusão amorosa. Todos, acredito eu, já passamos (ou passaremos) por aquela fase em que pensamos ter já nos despedido definitivamente do apaixonamento, da esperança de viver um amor sem desilusão. A fase da negação, de proibir-se o flerte com qualquer coisa mais abstrata, de apenas acreditar no chão abaixo dos pés e mais nada. De não se deixar acarinhar, de não dar chance de aproximação a ninguém e, quando der, a qualquer momento esperar aquela frase desastrosa, aquela proposta que põe tudo a perder. E geralmente ela vem.

No filme, Garrel não faz distinção de sexo na hora de escolher os abraços e carinhos. Começa com duas namoradas, seduz um rapaz, outra menina. Tudo isso, com cara de quem tocou um "foda-se" definitivo na vida. A cara de quem não acredita. O que é uma grande mentira. Se não acreditasse, não continuaria buscando. Igualzinho a eu e você, o personagem do filme de Christophe Honoré mente que não fantasia, que já não tem mais sonhos de viver um grande amor. Uma grande mentira.

2 comentários:

  1. Tapa na cara, hein? Mas eu sou uma desacreditada preguiçosa... antes não fosse. O risco de estar errada seria maior, não?

    Bezzos, e sorte, sempre - que precisamos muitíssimo e desesperadamente.

    E yo, caríssimo, niilista até o último fiapo de cabelo. Mas doida pra estar redondamente enganada también.

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  2. Quem não acredita, sem nenhuma fagulha de esperança, deixou de viver. Não está mais aqui.
    Esperança é a verdadeira paixão, que reside em todos nós. Flutuando. Guiando. E nós obedecemos.

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