30.9.08

Lost


Hoje é dia do tradutor. Parabéns aos colegas que tentam todos os dias dizer o indizível.

29.9.08

My pride and joy

Minha mãe ontem me surpreendeu. Primeiro porque eu descobri, pasmo, que ela aos 17 anos foi morar sozinha, numa cidade longe dos pais (um militar irascível e a outra, mãe disciplinadora furiosa); trabalhava como professora e morava numa república onde, ela mesmo conta, "se divertia à beça!". E lembre-se, caro leitor, que estamos falando de 1950, no interior do Rio Grande do Sul.

Outra coisa que me espantou - desta vez menos pela ousadia e mais pela sapiência - foi a seguinte frase: "Quem guarda rancor dos pais vira um adulto fatalmente infeliz". O que é tão verdade e, ao mesmo tempo, o tipo de coisa que só uma (boa) mãe pode dizer. Esta, aos 70 e tantos anos, é a minha mãe, senhoras e senhores.

26.9.08

Compilation



Músicas que narram histórias que começam e terminam e começam e... mais ou menos como tudo que a gente passa na vida. 

1. Michael Jackson - Got to Be There (3:24)
2. Esther Phillips - What a Diff'rence a Day Makes (4:31)
3. Dean Martin - Sway (2:49)
4. Marvin Gaye - Sexual Healing [Original Vocal Version] (4:39)
5. Des'ree - Strong Enough (4:44)
6. Dinah Washington - Mad About The Boy (2:51)
7. Terence Trent D'Arby - We Don't Have That Much Time Together (4:53)
8. Aretha Franklin - Rock Steady (3:13)
9. Tina Turner - It's Gonna Work out Fine (2:50)
10. Annie Lennox - Keep Young and Beautiful (2:17)
11. Peabo Bryson/Roberta Flack - Tonight, I Celebrate My Love (3:31)
12. Sarah Vaughn - Moon River (2:51)
13. Galt MacDermot - Aquarius (4:45)

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24.9.08

Um porto mais alegre ao mar de Adriana


A minha resenha do show de Adriana Calcanhotto em Porto Alegre, no sábado.


A minha única ressalva é que a platéia não podia ser mais apática. 

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A pessoa ao meu lado cantava "Eu ando pelo mundo prestando atenção em FLORES que eu não sei o nome. FLORES de Almodóvar, FLORES DE FIDEL CASTRO, FLORES". Eu caí na gargalhada e ela ficou ofendida, disse que é fã desde o início dos tempos e sabe de cor to-das as músicas da Calcanhotto. 

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"Suas asas, amor, quem deu fui eu..." ela estava querendo me testar, eu sei. Testar a minha fé, a minha perseverança e bravura. O arranjo novo é de doer de bom e fez dela uma nova música. 

22.9.08

Mad Men






Esta á a abertura da série Mad Men, ganhadora ontem do Emmy de melhor série dramática. A seqüencia presta homenagem ao designer Saul Bass, responsável pelas primorosas aberturas dos filmes de Alfred Hitchcock.

Mad Men mostra a vida de uma agência de publicidade durante a transição cultural que os Estados Unidos sofreram no início dos anos 60 e tem roteiros caprichadíssimos. Assisti à primeira temporada e fiquei muito impressionado com a franqueza e a sofisticação que vi. No Brasil, a série volta pela HBO Plus em outubro.

17.9.08

O olhar da cegueira


"A única coisa mais assustadora que a cegueira é ser a única pessoa que consegue enxergar"

O cinema que você testemunhará em Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness, 2008), de Fernando Meirelles é bastante parecido com aquele de Crash - No Limite (2004) e Babel (2006). Da mesma forma que Paul Haggis e Alejandro González Iñárritu conduziram seu olhar desafiante sobre a diversidade dos nossos tempos, Meirelles consegue explorar alguns becos escuros da maldade humana e a nossa precariedade social, tendo como combustível a obra de José Saramago.

Julianne Moore é a única que consegue enxergar, num mundo tomado pela epidemia de uma curiosa forma de cegueira contagiosa. Em vez da total escuridão, a doença de Saramago torna a visão (ou a ausência dela) num mar de branco. O desafio desses personagens sem nome é sobreviver à quarentena em que são depositados, num hospício abandonado, onde há racionamento de comida e formas brutais de opressão vão aos poucos eliminando o que havia de civilizado naqueles personagens.

O espectador é propositalmente privado de referências. Não se sabe ao certo em que cidade a trama acontece, muito embora as cenas externas tenham sido filmadas em São Paulo - o que torna algumas paisagens urbanas familiares a nós brasileiros apenas. Há sinais em português, inglês, espanhol. O elenco tem norte-americanos, latinos e orientais, mas nenhum personagem tem nome. Tudo que se sabe é que aquele micro-mundo pode ser qualquer cidade justamente porque não é lugar algum. O que importa mesmo são os movimentos internos, o que acontece com estas pessoas numa situação extrema, como seus papéis sociais se desenrolam, da bondade à brutalidade, despidos de qualquer forma de adequação paradigmática.

A linguagem visual escolhida por Fernando Meirelles merece um louvor. Há três pontos de vista servindo de marcação para os atos da história. Um inicial, de edição rápida e brilhante, anunciando a chegada da doença; outro mais cru, em alto contraste, que pontua a vida no isolamento pelos olhos da protagonista; e outro, talvez o mais relevante, o olhar interno, representado pelo personagem de Danny Glover. Em vários momentos, o diretor presta homenagem a artistas que representaram em sua obra uma humanidade solitária, como Lucien Freud (Double Portrait, ao lado), reproduzindo o imaginário das obras sem qualquer cerimônia.

Mas não dê ouvidos ao que eu - ou quem quer que seja - tenha a dizer sobre Blindness. Apenas assista e depois me conte o que você enxergou.

15.9.08

I drove all night*

Voltando de Rio Grande para Porto Alegre, o carro pifou no meio do quase-nada. Melhor reformular: o carro pifou próximo a Turuçu, a "capital nacional da pimenta", segundo informava um outdoor. "Pane elétrica" é um termo muito descritivo, descobri depois de algumas horas no celular chamando a assistência rodoviária que a concessionária responsável por aquele trecho da estrada fornece. Foram rápidos e ajudaram no que podiam, ou seja, aconselharam acionar a seguradora.

Problema número dois: meu irmão não lembrava com qual seguradora o corretor havia firmado contrato. A documentação chegou toda pelo correio e ele, claro, jogou o envelope em algum lugar da escrivaninha de casa. Já estava anoitecendo, um frio do cão e eu no celular tentando descobrir os 0800 das possíveis seguradoras. Depois da quarta tentativa frustrada, o corretor, que nas últimas duas horas estava confortavelmente acomodado em algum cinema de Porto Alegre, retornou a ligação e forneceu a informação.

Seguro acionado, guincho a caminho. Como a distância excedia 100 km, não tínhamos direito a taxi. A solução era que fôssemos espremidos até o nosso destino na cabine do caminhão. O guincheiro, que vinha da cidade vizinha, demorou cerca de 1 hora para chegar. Estava no aniversário de quatro anos do filho, explicou-nos depois. Por volta das 21.30 estávamos eu, meu irmão e o guincheiro, ouvindo música sertaneja a caminho de Porto Alegre. "O senhor sabe que não é qualquer um que trabalha com essas seguradoras, né? A gente tem que ter caminhão novo, celular, seguro, enfim, preencher todas as lagunas."O cidadão falava, falava, falava. E eu já meio zonzo, imóvel, segurando uma muda de manjericão que minha irmã havia me dado em Rio Grande.

Por volta da meia-noite, deixamos o carro em frente à oficina mecânica e peguei um taxi para casa. E foi assim que uma viagem de 4 horas durou 9.

*I Drove All Night, música composta pela dupla Billy Steinberg e Tom Kelly (os mesmos de Like a Virgin) especialmente para Roy Orbinson, que a gravou em 1987 mas só a lançou comercialmente em 92. No vídeo, os jovens Jason Priestley e Jennifer Connelly. Neste meio tempo, em 89, foi sucesso na voz de Cyndi Lauper, em um de seus melhores álbuns, A Night to Remember. Anos depois foi também gravada por Celine, a hedionda.

10.9.08

Only an expert can deal with the problem















Com tanta correria e confusão para conseguir um ingressinho que seja para ver a turnê Sticky Sweet de Madonna no Brasil, quase ninguém deu bola para a notícia de que Kylie Minogue se apresentará dia 9 de novembro em São Paulo com sua KylieX 2008 Tour. Proponho um jogo: vá ao show da kylie com um caderninho e anote tudo que ela chupou da Madonna. É divertido.
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Chegou o novo browser do Google, é o Chrome. Leve, bonito e simples. Só faltam algumas funcionalidades do Firefox para eu usá-lo oficialmente aqui.
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Matérias minhas para a Revista Paradoxo: Martin Buscaglia, o homem-orquestra e Laurie Anderson no Sesi.
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Eu vi o primeiro episódio da terceira temporada de Dexter. Caiu na rede sexta-feira e será transmitido pela tv americana dia 28 de setembro. Bem, poderia ser melhor, mas já está de bom tamanho. Ótimo mesmo foi a season première de Bones, episódio duplo, em que Temperance Brennan e o agente Seeley Booth resolvem duas mortes misteriosas em Londres. O melhor de tudo é o recado na secretária eletrônica da personagem principal: Technically you have not reached Temperance Brennan, but if you leave a message, it will reach her... Me... Temperance Brennan.

3.9.08

Apreciando o Silêncio

Sempre que perguntado a respeito do Coldplay, eu digo que eles têm lá seus momentos, mas, via de regra, os acho uns chatos. Eis que surge um daqueles momentos. Ignorem a música meia boca, mas apreciem o vídeo de Viva La Vida em que eles homenageiam Enjoy The Silence, do Depeche Mode. Chamaram, inclusive, Anton Corbijn, o homem que cuida do visual do Depeche desde o início.