15.9.08

I drove all night*

Voltando de Rio Grande para Porto Alegre, o carro pifou no meio do quase-nada. Melhor reformular: o carro pifou próximo a Turuçu, a "capital nacional da pimenta", segundo informava um outdoor. "Pane elétrica" é um termo muito descritivo, descobri depois de algumas horas no celular chamando a assistência rodoviária que a concessionária responsável por aquele trecho da estrada fornece. Foram rápidos e ajudaram no que podiam, ou seja, aconselharam acionar a seguradora.

Problema número dois: meu irmão não lembrava com qual seguradora o corretor havia firmado contrato. A documentação chegou toda pelo correio e ele, claro, jogou o envelope em algum lugar da escrivaninha de casa. Já estava anoitecendo, um frio do cão e eu no celular tentando descobrir os 0800 das possíveis seguradoras. Depois da quarta tentativa frustrada, o corretor, que nas últimas duas horas estava confortavelmente acomodado em algum cinema de Porto Alegre, retornou a ligação e forneceu a informação.

Seguro acionado, guincho a caminho. Como a distância excedia 100 km, não tínhamos direito a taxi. A solução era que fôssemos espremidos até o nosso destino na cabine do caminhão. O guincheiro, que vinha da cidade vizinha, demorou cerca de 1 hora para chegar. Estava no aniversário de quatro anos do filho, explicou-nos depois. Por volta das 21.30 estávamos eu, meu irmão e o guincheiro, ouvindo música sertaneja a caminho de Porto Alegre. "O senhor sabe que não é qualquer um que trabalha com essas seguradoras, né? A gente tem que ter caminhão novo, celular, seguro, enfim, preencher todas as lagunas."O cidadão falava, falava, falava. E eu já meio zonzo, imóvel, segurando uma muda de manjericão que minha irmã havia me dado em Rio Grande.

Por volta da meia-noite, deixamos o carro em frente à oficina mecânica e peguei um taxi para casa. E foi assim que uma viagem de 4 horas durou 9.

*I Drove All Night, música composta pela dupla Billy Steinberg e Tom Kelly (os mesmos de Like a Virgin) especialmente para Roy Orbinson, que a gravou em 1987 mas só a lançou comercialmente em 92. No vídeo, os jovens Jason Priestley e Jennifer Connelly. Neste meio tempo, em 89, foi sucesso na voz de Cyndi Lauper, em um de seus melhores álbuns, A Night to Remember. Anos depois foi também gravada por Celine, a hedionda.

5 comentários:

  1. Que horror!!!
    Por isso que eu só vou de vôo fretado para os sul. hahahah

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  2. Infortúnios que rendem uma boa prosa. Ah se todos fossem assim! rs!!!

    Uma dúvida: o manjericão sobreviveu mesmo? Ufa, "entre mortos e feridos"... kkk!

    Adorei isto aqui,
    Primeira de muitas futuras visitas ;)

    Grande abraço e parabéns!

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  3. cara...lamento profundamente isso...rs rs rs, já passei situção parecida, só que a seguradora não quis buscar o carro e tive que pagar 600,00 pro guincho me trazer a Campinas. Estava no meio do nada qdo aconteceu isso, pq a lei diz, se o carro tem que quebrar, que aconteça no lugar mais inóspito possivel.
    abraço

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  4. e não passou nem um D.A.T.C.?

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  5. Turuçu... isso só comprova minha teoria: que qualquer biboquinha, do norte ou do sul, do Rio Grande, se acha no direito de se auto-denominar CAPITAL NACIONAL de qualquer coisa.
    Delícia de aventura, seu Caléssico. História boa pra rir (depois, é claro) e contar pros amigos, oras.
    :***

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