30.10.08

Sangue Bom


O poster acima faz parte da campanha de marketing viral de True Blood, nova série da HBO americana, que mostra um mundo em que os vampiros saem do armário em razão de um sangue sintético desenvolvido pelos japoneses chamado Tru Blood. Como não é mais necessário matar humanos para se alimentarem, os vampiros não mais se escondem. É assim que a garçonete Sookie (Ana Paquin, a menina de O Piano, lembra?) se apaixona pelo vampiro de olhar oblíquo Bill Compton. Tenho acompanhado religiosamente o seriado e atesto, certifico e assino em baixo.

Ainda na campanha viral, um site de relacionamentos (Lovebitten.net), o da bebida Tru Blood (Truebeverage.com) e a Liga dos Vampiros Americanos (Americanvampireleague.com).


29.10.08

Serenity Now!


Em um dos episódios mais memoráveis de Seinfeld, Frank Constanza (pai de George) é aconselhado por seu cardiologista a dizer "serenity now" cada vez que a sua pressão arterial ameaçasse subir. Algo como "serenidade agora", uma forma de auto-relaxamento. Em vez de dizer, ele gritava bem alto, com as mãos para cima em posição de louvor. Desde então, a frase virou grito de guerra de quem está de saco cheio, se sentindo abusado, quando lhe faltam com o respeito, enchem o saco, abusam da paciência.

Está sendo vítima de assédio moral ou psicológico do chefe? Serenity now!
Sua amiga egoísta só sabe falar de si e faz tudo pra chamar a atenção? Serenity now!
Seu dito "amigo" está dando em cima da sua namorada? Serenity now!

Não, não vai resolver a situação. Se o chefe assedia os funcionários moralmente, ele vai continuar assediando porque é assim que ele é e porque poder, na concepção dele, é ter autoridade para ser um calhorda. Se a amiga é egoísta e precisa da atenção de tudo e todos, muito provavelmente não vai conseguir se enxergar, nem que você desenhe. E geralmente quem dá em cima da namorada dos amigos não vale sequer a preocupação, muito menos a amizade.

Serenity now é um mantra para você lembrar que nem o chefe, nem os pseudo-amigos, nem qualquer pessoa tem o direito de te desequilibrar. E que às vezes cuidar da própria sanidade é a menor maneira de mandar alguém à merda.

27.10.08

Notável

Ana Maria Bahiana, a jornalista brasileira que mais conhece cinema esteve em Porto Alegre neste final de semana com o curso "Como Ver um Filme", ministrado todo numa sala de cinema do Moinhos Shopping. Além de explicar, tanto quanto o tempo permitia, o processo de pré e pós produção, falar sobre as possíveis estruturas dos roteiros, contar sobre os grandes diretores de fotografia, apontar a missão da direção de arte, trilha sonora, e figurinos, assistimos também a cenas de Apocalipse Now, Onde os Fracos Não Têm Vez, Maria Antonieta, 2001 - Uma Odisséia no Espaço, O Iluminado, A Era da Inocência e mais alguns.

Há de se considerar que para muitos de nós aquilo não era novidade, mas os toques e as curiosidades que a experiente jornalista salpicava entre um clip e outro eram uma delícia que não tem preço. Ao contrário de muita gente que tem espaço para falar de cinema nos veículos de hoje em dia, Ana Maria Bahiana critica sem afetações e sabe ser objetiva até falando da prótese peniana usada por Sean Penn no novo filme de Gus Van Sant. Além de tudo, é um doce de pessoa. Nem precisava ser, mas é.

22.10.08

Totally screwed up



Fatal (Elegy, 2008) de Isabel Coixet me deixou chateado por alguns dias. Me pareceu que o filme tenha sido uma tentativa de a diretora entender os homens. Ou quem sabe fazer as pazes com eles, já que em seus filmes anteriores (Minha Vida Sem Mim e A Vida Secreta das Palavras) eles não foram muito bem desenvolvidos, até porque não importavam à narrativa. E para entrar de cabeça e em alto estilo no universo masculino, escolheu adaptar uma obra de Philip Roth, O Animal Agonizante.

O problema é que, para Coixet, nós continuamos seres bem pouco evolvidos, fracos, imaturos e inseguros. E a fodona super-heroína do filme, o pássaro ferido, a fênix que renasce das cinzas e supera todas as adversidades, a Scarlet O'Hara madrilenha é Penelope Cruz, daí você tem uma idéia de como estamos mal. 

Mesmo assim, Fatal é daquela beleza precisa, quase cirúrgica cultivada por Coixet. O capricho das ambientações, o cuidado de colocar o personagem na cena como se fizesse parte de uma pintura renascentista, com seus detalhes de cor, sombras e expressão fazem da fotografia talvez o mais irrepreensível da película.

Mas é tão difícil acreditar nestas pessoas, elas são tão distantes, tão ocupadas com o vazio da sua superficialidade. São uns intelectualóides egoístas e sintéticos para os quais a ausência de traços mais humanos impede a identificação da platéia.

Mesmo assim, me chateei. E talvez porque ele pinta, de forma muito competente, um quadro bem trágico das relações amorosas, em que as pessoas acabam juntas mais por falta de opção do que por escolha própria. Fatal incomoda bastante, é o que eu posso garantir.

21.10.08

A little perspective

Pois então, caro leitor. Seu blogger está implicando conosco e tirando meus posts do ar. Tudo porque alguém anda fazendo queixas das músicas que eu compartilho com vocês, questões de direitos autorais, blá blá blá. Aquela novela...

Mas vamos contornando a situação como der. De qualquer forma, quem quiser aquela compilation re-editada de sexta-feira [Perspective], pega aqui.

Infelizmente, os comentários dos posts apagados são irrecuperáveis. Perdoem o Blogger, ele não sabe o que faz.

13.10.08

Cortada em Dois


Talvez não tenha sido uma boa escolha ir assistir a um filme francês em plena quarta-feira, imediatamente após um cansativo dia de trabalho. Especialmente porque o horário da sessão me obrigava a sair correndo da empresa para, em 20 minutos, chegar ao cinema, comprar o ingresso e correr para dentro da sala escura. O estigma do filme francês chato, criado, suponho eu, pela nouvelle vague e o estilo contemplativo e observador de alguns de seus representantes, persegue os filmes produzidos naquele país; muito embora eu tenha fé de que nem todo filme francês seja enfadonho. Foi esta fé que me levou a assistir Uma Garota Dividida em Dois (La Fille Coupée en Deux, 2008), de Claude Chabrol.

A garota do título é Gabrielle (Ludivine Sagnier, de Les Chansons D'Amour e Swimming Pool), dividida entre a paixão pelo escritor famoso Charles Denis (François Berléand) que nada de sério quer com ela e um violento ricaço (Benoit Magimel, de A Professora de Piano) que praticamente a coage a casar com ele. A protagonista, claro, ama quem não a quer: o escritor mais velho, melhor de cama, porém casado. Acaba se acomodando com o mais fácil (aparentemente), ou seja, casar com o rapaz mimado, herdeiro de um pequeno império, sabendo que ele tem um quê de psicopata. Talvez seja justamente a violência que melhor descreva as fantasias de Gabrielle. Cada um dos amantes representa um lado da moeda da sexualidade humana: a dor fantasiada e a real. O ciúme e a doença. O consentimento e a invasão.

A história do filme foi adaptada por Chabrol a partir de uma história real, acontecida no início do século XX em Nova York, um escândalo envolvendo o triângulo amoroso que culminou em tragédia e foi notícia dos jornais do mundo inteiro. Na adaptação francesa, os personagens não se desculpam por absolutamente nada e têm o trunfo de sempre defender suas escolhas, por mais bizarras e auto-destrutivas que possam parecer. O que já é um grande mérito nos dias de hoje, em que é mais comum ver pessoas arrependidas e procurando uma forma de colocar a culpa nos outros ou nas coisas pelo seu próprio fracasso pessoal.

Por outro lado, há duas coisas que me incomodam profundamente em Uma Garota Dividida em Dois: a lentidão da narrativa, quase sonolenta; e a forma com que o potencial impacto dos personagens foi diminuido pelo excesso, a maneira um tanto caricatural com que a câmera de Chabrol enquandra esta bizarra realidade. O que bastou para me fazer cochilar uns 5 minutos. Mas nada que tenha abalado a minha fé.


10.10.08

Compilation Insensata


1. Paula Morelenbaum - Insensatez (3:54)
2. Bajofondo (Feat. Gustavo Cerati) - El Mareo (4:35)
3. Dj Shadow - This Time (I'm Going Try My Way) (2:59)
4. Everything But the Girl - Mirrorball [DJ Jazzy Jeff Sole Full Remix] (4:28)
5. BungaLove - Aphrodisiaco (4:22)
6. Forro in the Dark - Wandering Swallow (feat. Bebel Gilberto) (4:13)
7. Adriana Calcanhotto - Três (3:50)
8. David Byrne & Brian Eno - One Fine Day (4:55)
9. Shirley Bassey - For All We Know (2:45)
10. Natalie Cole - You Gotta Be (3:46)
11. Ani DiFranco - Smiling Underneath (4:59)
12. Dinah Washington - Cry me a River (2:49)
13. Fiona Apple - The First Taste (4:46)
14. Esther Phillips - Makin' Whoopee (2:46)
15. Marisa Monte - Vai Saber? (4:00)
16. Fernanda Takai - Insensatez (3:36)

7.10.08

Morelen-quem?

O novo álbum de Paula Morelenbaum não é só elegante e sofisticado, ele tem parcerias com Bajofondo, Ryuichi Sakamoto, Marcos Valle, João Donato dando novas roupagens a composições que Paula garimpou nos acervos de antigas gravadoras. Tem Ternura Antiga, de Dolores Duran, O Samba E O Tango, com os músicos e o remix do Bajofondo e O Que Vier Eu Traço, em seu inspirado arranjo electro-bossa.

Certamente uma das melhores surpresas de 2008.

Para tê-lo inteiro, clique aqui.


1.10.08

Nomes aos bois


Eu tenho uma amiga que dá nomes e apelidos de gente às coisas. O laptop chama-se Borges, o Ford Ka é o "O Gordo" e a televisão tem um nome que eu agora esqueci. Um dia ela me ligou pedindo ajuda, dizendo que o "Borges estava bravo" e não queria mais escrever. Fui lá e conversei com o Borges, que me contou transtornado que ela havia apagado arquivos essenciais para o bom funcionamento dele. Claro, você entende aí que o computador não me disse nada, que na verdade eu cheguei lá e verifiquei que ela (ou alguém, não sei) resolveu apagar arquivos sem saber o que eram ou para que serviam, o que fez com que o sistema não conseguisse fazer a associação dos atalhos na área de trabalho com os programas e arquivos relacionados a alguns deles. Um dia eu encontrei com ela, cara de cansada, suada. "O gordo me deixou na mão, acreditas?" E eu perguntei quando tinha sido a última vez que ela tinha levado o gordo no médico pra fazer um check up e assim continuamos na brincadeira. Porque é realmente divertido brincar de humanizar as coisas. O que não me parece funcionar muito bem é quando fazemos um coisa quase inevitável: dar nome de gente a sentimentos. 

"Morro de saudades do Pedro. Nunca esqueci o Pedro. Sempre que eu me sinto só, eu penso no Pedro". Vamos traduzir, o Pedro é o nome do ex-namorado, o último (ou pelo menos o mais marcante) que fez o cidadão ou a cidadã em questão feliz, em casa, contente. Aí, sempre que a casa ameaça ruir, a criatura pensa que é o Pedro que está fazendo falta. Ela pensa que ninguém é igual ao Pedro, que nobody does it better, que o Pedro é que é o cara. Esquece que se terminou, algo havia de errado. Que o Pedro, a pessoa, não era bem o parceiro dos sonhos. Mas que o Pedro, o sentimento, ah este é imbatível, representa a última vez que você se sentiu protegido, querido, desejado, maior do que o mundo, do que as coisas fúteis e os dias longos e as noites frias. 

Então chega um momento em que você já não sabe mais fazer a distinção entre Pedro, a pessoa e o sentimento. E quando você sente aquele abandono brutal no domingo à tarde, acha que está morrendo de saudade do Pedro, mas na verdade queria mesmo era repetir a sensação que tinha quando vocês se abraçavam e era como se um anjo safado abrisse suas asas para te acolher do mundo que não consegue te entender e do qual você já desistiu. E você uma vez, pelo menos, fez sentindo do encontro com alguém, achou que valia a pena, que existe isso que alardeiam nos filmes, livros e canções, que felicidade não é uma palavra proibida no seu dicionário.

Só que este sentir-se maior e mais possível não precisa atender pelo nome de alguém específico. É injusto até com o pobre do Pedro, que já nem lembra mais que você existe e está tentando, do jeito dele, ser feliz e namorar e tocar a vida da forma que consegue. É mais injusto ainda com você que perpetua essa equação em que felicidade = o outro. E passa anos infeliz, sem saber que a felicidade muda de nome conforme você a experimenta, e se ontem foi Pedro ou Luíza, hoje pode ser Ana ou Roberto e amanhã pode ser Fernando ou Maria. E nenhuma dessas pessoas terá a chance de te conhecer e, de repente, te fazer feliz se você não se der conta de que está buscando reviver um momento que não mais existe. A Ana, o Roberto, o Fernando e a Maria agradecem. E o Pedro também. 

*A foto que ilustra o post é do filme A Janela da Frente (La Finestra di Fronte, 2003), do diretor turco Ferzan Ozpetek, o mesmo de Um Amor Quase Perfeito (Le Fate Ignoranti, 2001). Altamente recomendável para quem está pensando em amar de novo.