31.7.09

Compilation



1. Marina Lima - Eu Vi o Rei (5:41)
2. Gabriella Cilmi - Cigarettes & Lies (3:07)
3. Mark Ronson Ft. Tiggers - Toxic (4:05)
4. Snow Patrol - Teenage Kicks (2:25)
5. The Bloodsugars - Self-Control (4:20)
6. Federico Aubele Feat. Sabina Sciubba - Otra Vez (3:11)
7. The Roots & Erykah Badu - I Wanna Be Where You Are (5:33)
8. Cat Power - I’ve Been Loving You Too Long (To Stop Now)(3:36)
9. Hall & Oates - Baby Come Back (3:35)
10. Rafter - If You Leave (3:25)
11. Zélia Duncan - Boas Razões (2:41)
12. Roisin Murphy, Sinead O'Connor & Micachu - I'm Every Woman (3:26)
13. Freemasons feat. Sophie Ellis-Bextor - Heartbreak Make Me A Dancer Acapella (3:09)
14. Michael Bublé - Feeling Good (3:57)
15. Soul II Soul - Keep On Movin' [Featuring Caron Wheeler] (6:01)

Aqui

30.7.09

The Linux Experiment


Ando experimentando os OS Linux. Acima, o navegador Konqueror do Open Suse, muito mais bonito que o Ubuntu, e muito funcional. Mas ainda acho algumas coisas esquisitas demais.

26.7.09

Sunday Classics



Grace Kelly é flagrada pelo horripilante Sr. Thorwald em Janela Indiscreta (Rear Window, 1954).

23.7.09

3 é demais



Coco Chanel traz Shirley MacLaine vivendo a estilista já idosa e a slovaca Barbora Bobuľová faz Chanel jovem. O filme é apenas razoável, porque é uma daquelas produções feitas para a TV, então falta ousadia e orçamento. Mas tem momentos bonitos, como esta cena aí, que representa bem o perigo dos triângulos amorosos.

20.7.09

Galhos

I'm a tree that grows hearts
One for each that you take
You're the intruder hand
I'm the branch that you break
(Bjork - Bachelorette - 1997 - do álbum Homogenic)

Os versos de Bjork, extraídos do single Bachelorette servem como uma metáfora bem interessante para tratar a nossa natureza afetiva. A letra sugere que somos todos árvores cujo fruto é o amor. Mesmo que nos roubem "corações", nossa composição primordial nos possibilita brotar ainda mais frutos. Há, claro, estações em que secamos e, no lugar do sentimento fresco e suculento, só temos galhos quebradiços, frágeis e sem graça.

Para a árvore existe a certeza da chegada da primavera uma vez ao ano. Já nós somos obrigados pelas circunstâncias a viver outonos que nos parecem exageradamente longos. Nesses períodos, ficamos sujeitos a "intrusos" que, como diz a letra, quebram nossos galhos. Alguns por não enxergarem que estamos vivendo nessa estação infrutífera. Tudo que veem quando nos olham é uma árvore como todas as outras. Esses tentam nos escalar em busca daquela fruta tão gostosa porque têm certeza de que nas copas mais altas há de ter um exemplar vermelhinho e lustroso esperando por eles – e vão nos quebrando no caminho. Chegam lá e não encontram absolutamente nada, além da vista privilegiada para o deserto – ou como dizia Marina Lima na canção de Alvin L., "Solidão com vista pro mar".

O importante é a gente saber que tipo de árvore se é (ou está). E entender que a natureza é sábia e não há inverno que dure para sempre.

18.7.09

O Destino


Lição de uma estrangeira sobre como ver o trabalho. Tem muito brasileiro precisando aprender com ela.

*Cena de Edifício Master (2002), excelente documentário de Eduardo Coutinho.

17.7.09

Recorte


"Minha mãe sempre me disse que eu ia escrever um livro, gozado. A gente se esforça, batalha, luta, faz psicanálise, vai ao teatro, tudo para se constituir, para ter recorte.
Aí, na primeira surtadinha faz o quê? O que a mãe queria."

Adriana Calcanhotto, em Saga Lusa, a história de quando os anti-inflamatórios lhe causaram uma reação alérgica (e lisérgica). Um livro delicioso. Devo já devo ter lido umas três vezes. Está sempre à mão para um momento carente de doçura e bom humor.

16.7.09

A Origem das Espécies

Versão indiana de uma música muito famosa. É trilha sonora de um musical de Bollywood e os autores do sucesso original nunca receberam créditos.

Ouça e descubra.

10.7.09

Escolhas, tortas e disciplina


Quem é de Porto Alegre sabe que uma das melhores confeitarias da cidade, a Max, tem uns bolos e tortas imbatíveis. São realmente simples, mas deliciosos. Outro dia eu estava esperando para ser atendido e na minha frente estava uma moça – de uns trinta e poucos anos, espremida nas roupas que pareciam ser de um número abaixo do seu e segurando impaciente um molho de chaves absurdamente lotado na mão direita e celular na outra – que fazia perguntas constantes à atendente, pois não sabia exatamente qual torta levar. Até que, para minha surpresa e da balconista, ela pediu desculpas, dizendo que não ia mais levar nada e foi em direção à saída.

Todos os dias a gente faz escolhas. É redundante falar nisso. Mas eu insisto em dizer e dizendo eu reforço mais para mim mesmo do que para fora. Lembro o tempo todo que, por muito tempo, as minhas escolhas mais relevantes foram feitas sem que eu sequer me desse conta de que estava escolhendo. Optar por um caminho em vez de outro na volta para casa, escolher a que entrevistas de emprego me submeter, quais amigos realmente me respeitam e querem bem, que relações amorosas levar adiante ou que atitudes tomar com membros da família.

A verdade é que mesmo a pessoa mais calculista e consciente está sujeita a escolher “errado”. A medida desse “errado”, claro, é o tanto de felicidade e frutos que nos trazem as consequências da escolha. Eu já cheguei a pensar que refletir demais sobre o ato diário de escolher tirava a espontaneidade da vida. Quantas vezes você já não se deparou com a escolha entre o que parece certo de acordo com estatísticas calculadas e o que a sua vontade lhe manda fazer?

Eu poderia comer esse bolo de chocolate reluzente com recheio de doce de leite e nozes picadas, polvilhado de canela – que é meu desejo imediato – ou parar por um segundo e refletir se eu realmente posso bancar essas calorias ou se não me faria mal em longo prazo. O primeiro impulso às vezes é achar que, comendo o doce, estaríamos deflagrando um processo de autodestruição irrevogável, que essa indulgência é demais para nós, que o mundo é feito dos disciplinados. A frase preferida de quem pensa assim é “depois de passada a vontade, a gente percebe que fez a escolha certa”.

disciplina
Substantivo feminino
(...)

5. Derivação: por extensão de sentido.
obediência a regras de cunho interior; firmeza, constância


Ex.: para vencer na vida é preciso disciplina.


6 Diacronismo: antigo.
castigo, penitência, mortificação
Fonte: Dicionário Houaiss


Ora, depois de passada a vontade, o que me resta é amarga frustração de não ter obedecido ao meu desejo. Não é uma questão de merecer ou não, de poder ou não poder, de engordar ou emagrecer, é muito mais do que isso: é sentir. E se eu preciso olhar atentamente alguma coisa, não é o momento da escolha, mas sim observar com muita atenção o meu sentir, que vem bem antes do ato de optar. Eu não me torno um sujeito mais disciplinado por não comer o bolo. Na realidade, disciplinado mesmo é aquele que consegue definir o tamanho certo da fatia que lhe saciará o desejo e não lhe fará mal.

Não acho que a moça da confeitaria tenha superado sua tentação. Acho que ela conseguiu fugir dela, ainda que momentaneamente. Só que enquanto ela ficar obcecada em fazer as escolhas que os outros lhe profetizaram serem as corretas, vai continuar não enxergando que seus impulsos estão ligados a sentimentos mais profundos do que a banalidade prática de dizer sim ou não a uma torta de limão. É estabelecendo essa comunicação entre o sentir e o pensar que ela vai conseguir entrar na confeitaria, pedir seu doce predileto, sabendo a quantidade certa para ela, ciente das consequências e prazeres de saborear uma boa fatia de bolo.

*Na foto, Robin Williams e Bobby Cannavale, em Segredos da Noite (The Night Listner, 2006). Sobre um homem que não sabe que escolhas fazer.

6.7.09

O inverno são os outros

Quando faz muito frio eu fico contente, mas também fico muito jururú. Me alegra não sentir mais calor, não suar (tanto, porque continuo suando, sou quente – no mau sentido), tomar mais chá, cappuccino, fazer amendoim doce e comer assistindo a um filme em preto e branco. Mas o vento gelado do inverno também me deixa vulnerável, saudoso, melancólico e muito sozinho. Aí me apego mais a livros, filmes e gentes, procurando neles o que há de mais diferente, mais esquisito, mais doloroso. Acho que me interessa mesmo ver nos outros o que ninguém mais enxerga, ver os filmes que ninguém quer ver, procurar as coisas que são interessantes por não se encaixarem em categoria alguma, a graça para mim é essa. Canto pela casa a mesma canção por horas a fio, vou e volto no tempo, folheio livros em busca de uma frase que reitere quem eu sou.

Aí, irrompe um sol lindo, numa manhã que amorna com as horas e um sol que deita a cabeça no meu colo, e pronto. Quem era eu mesmo?