25.9.09

Depeche Mode - Hole to Feed



Numa época de pura mediocridade no mundo videoclíptico, vem Depeche Mode com mais uma abordagem bizarra da nossa falta de personalidade, a juventude blasé que está se criando e babaquice nossa de cada dia. Adorei muito.

17.9.09

Compilation



Uma compilation estampada pela "estrombótica" Rossy de Palma. Tem para todos os gostos: novo single de Bebel Gilberto, em cover de Carmen Miranda, uns remixes gostosos de coisas do passado e la Calcanhotto em dueto com a boníssima Beatriz Azevedo. The Eurythmics chegam com uma das mais lindas composições dos Smiths, Fernanda Takai ataca de Michael Jackson, kd Lang canta lindamente uma canção do repertório de Ella Fitzgerald e muito mais.

1. Nicolette Larson - Lotta Love (The Lotta Nic Mix) (4:35)
2. Lena Horne - Where Is Love? (Remix) (4:50)
3. Fangoria - El Glamour De La Locura (3:11)
4. Bebel Gilberto - Chica Chica Boom Chic (3:04)
5. Julie London - Desafinado (Slightly Out Of Tune) (2:08)
6. Peggy Lee - I Love the Way You're Breaking My Heart (3:03)
7. Alison Moyet - The Man I Love (3:49)
8. Cassandra Wilson - Love Is Blindness (4:54)
9. Michael Bublé - You Don't Know Me (4:14)
10. Beatriz Azevedo e Adriana Calcanhoto - Cena (4:20)
11. Delicatessen - I'm through with love (6:10)
12. k.d. lang - Angel Eyes (5:14)
13. Eurythmics - Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me (3:26)
14. Fernanda Takai - Ben (3:10)

Aqui.

10.9.09

Perecível

I'd like to see the Riviera
and slowdance underneath the stars
I'd like to watch the sun come up
in a stranger's arms

E se? E se você pudesse namorar com quem realmente ama e sem quem não consegue viver? E se pudesse escolher quem lhe fizesse realmente as borboletas e lombrigas se debaterem na boca do estômago? Alguém que você consegue admirar, compartilhar, que te ensina e, acima de tudo, faz os pelos ouriçarem na nuca pela mera menção do nome?

E se fossem tudo e todos menos complicados e você pudesse chegar e dizer "eu não consigo seguir em frente porque ainda te amo" ou, pelo contrário, tivesse retidão para desabafar "eu jamais te amei do jeito que entendo que o amor deve ser"?

E se nada mais fosse empecilho para você absorver os dias com mais calma e menos ansiedade? Imagine se os sorrisos de quem trabalha com você fossem todos verdadeiros e, veja que maravilha, que você não vivesse entorpecido pela própria mentira que construiu e reafirma todos os dias. Que houvesse um equilíbrio entre você e o outro, entre as liberdades e as invasões, sem aprisionamentos.

E se este sentimento de inadequação permanente deixasse de existir e desse lugar a uma ligação afinada com o funcionamento de tudo? E se você não precisasse mais andar na corda bamba entre se esconder e chamar a atenção de todos ao ponto da loucura? E se a sua capacidade de abstração fosse esperta sem ser persecutória?

E se você pudesse simplesmente ser? Deixado em paz. No seu canto, mastigando as horas no seu passo, entendendo exatamente quando chega o momento certo para as coisas, do seu jeito, sem prazos nem cobranças. Sem achar que deve ao outro alguma ação ou sentimento ou que precisa participar de algo para fazer parte do todo. Que às vezes seu todo é você, e só você saberá o momento de se expandir ao mundo.

E se a vida fosse não concluir as coisas, mas levá-las adiante, adiante, adiante?

E se? E se? E se?

A letra é de Home, que Sheryl Crow gravou no álbum homônimo de 1997.

7.9.09

Fobia


Produzido por Peter Jackson, de O Senhor dos Anéis, District 9 é um filme de ficção científica que gerou um hype anormal em seu lançamento. Bebe na fonte de uma série de exemplares do gênero, todos infinitamente superiores a ele - senti uma especial influência de O Quinto Elemento, ainda que despida de glamour e diversão, que, convenhamos, é o melhor do filme de Luc Besson.

No entanto, o primeiro longa de Neill Blomkamp utiliza o disfarce da ficção científica para falar sobre racismo e revelar a bagunça política de seu país de uma forma bastante criativa e contemporânea. Fala dos guetos, da segregação, pobreza e jogos burocráticos inescrupulosos através de câmeras de segurança, supostos noticiários de TV e outros equipamentos amadores de vídeo. O distrito 9 do título é uma menção ao distrito 6, criado na época do apartheid, um bairro de onde foram "retirados" todos os negros na década de 1970, na Cidade do Cabo - cerca de 60.000 cidadãos que foram relocados para viver em condições humilhantes de vida.

O problema desse tipo de filme é que a novidade se dilui em pouco tempo de projeção e a gratuidade do derramamento de sangue tira toda a credibilidade da realização. É bom ver algo novo nesse gênero tão cheio de clichês, mas seria melhor ainda se District 9 fosse um filme memorável. Pena que não é.