10.9.09

Perecível

I'd like to see the Riviera
and slowdance underneath the stars
I'd like to watch the sun come up
in a stranger's arms

E se? E se você pudesse namorar com quem realmente ama e sem quem não consegue viver? E se pudesse escolher quem lhe fizesse realmente as borboletas e lombrigas se debaterem na boca do estômago? Alguém que você consegue admirar, compartilhar, que te ensina e, acima de tudo, faz os pelos ouriçarem na nuca pela mera menção do nome?

E se fossem tudo e todos menos complicados e você pudesse chegar e dizer "eu não consigo seguir em frente porque ainda te amo" ou, pelo contrário, tivesse retidão para desabafar "eu jamais te amei do jeito que entendo que o amor deve ser"?

E se nada mais fosse empecilho para você absorver os dias com mais calma e menos ansiedade? Imagine se os sorrisos de quem trabalha com você fossem todos verdadeiros e, veja que maravilha, que você não vivesse entorpecido pela própria mentira que construiu e reafirma todos os dias. Que houvesse um equilíbrio entre você e o outro, entre as liberdades e as invasões, sem aprisionamentos.

E se este sentimento de inadequação permanente deixasse de existir e desse lugar a uma ligação afinada com o funcionamento de tudo? E se você não precisasse mais andar na corda bamba entre se esconder e chamar a atenção de todos ao ponto da loucura? E se a sua capacidade de abstração fosse esperta sem ser persecutória?

E se você pudesse simplesmente ser? Deixado em paz. No seu canto, mastigando as horas no seu passo, entendendo exatamente quando chega o momento certo para as coisas, do seu jeito, sem prazos nem cobranças. Sem achar que deve ao outro alguma ação ou sentimento ou que precisa participar de algo para fazer parte do todo. Que às vezes seu todo é você, e só você saberá o momento de se expandir ao mundo.

E se a vida fosse não concluir as coisas, mas levá-las adiante, adiante, adiante?

E se? E se? E se?

A letra é de Home, que Sheryl Crow gravou no álbum homônimo de 1997.

5 comentários:

  1. marco9:02 PM

    Parece-me (desculpe a presunção) que alguém precisa arrumar a casa e colocar algo em Platos limpos.

    Apenas um pedidim modestim, egoista até, não suba no telhado novamente, deixa isso com Gabriela.

    Guri do Cafezim, teu canto é nosso centro.
    Keep Warm and Carry ON !!!

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  2. "(...)E se você pudesse namorar com quem realmente ama e sem quem não consegue viver? E se pudesse escolher quem lhe fizesse realmente as borboletas e lombrigas se debaterem na boca do estômago? Alguém que você consegue admirar, compartilhar, que te ensina e, acima de tudo, faz os pelos ouriçarem na nuca pela mera menção do nome?(...)"


    Sentiria medo de tropeçar na frente da pessoa e por tudo a perder (encontrei esta pessoa, estpou com ela e já tropecei muito. Morro de medo de tropeçar de novo e tornar as situações irreversíveis)...

    A vida é a inconclusão em andamento.

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  3. amei o post, e a música idem !

    "E se você pudesse simplesmente ser? Deixado em paz. No seu canto, mastigando as horas no seu passo, entendendo exatamente quando chega o momento certo para as coisas, do seu jeito, sem prazos nem cobranças."
    Esse texto veio-me em boa hora, exatamente para me fazer pensar....
    visitarei mais vezes ! :D

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  4. adorei... simples e direto...
    certeiro, daquele que dói o peito!

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  5. Anônimo5:58 PM

    100% identificada com o texto

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