25.10.09

Mergulho



O amor é um mergulho. Na escuridão, na incerteza. Pode-se dar de cabeça num recife ou de cara na porta. E muitos de nós estão prontos para mergulhar, escalando o rochedo com valentia até o pico mais alto para saltar, onde o vento sobra espalhando cheiro de perigo e mar. Outros ficam bem longe da costa e preferem o cimento da solidão. O amor requer bravura. A solidão mais ainda, porque às vezes ela é a escolha mais acertada. Dolorida, suada, triste, heroica, ardida. Olhos vermelhos, noites insones, o casal feliz na rua, aquela foto ressuscitada, o reencontro inesperado. Um texto sem final, um adeus que não acontece, um telefonema ou uma canção no rádio. E, contra todas as percepções comuns, nada disso é sintoma de falta de amor. A solidão não é o oposto do amor. Pelo contrário, é quando ele cansa de esperar que você mergulhe e te inunda por dentro da forma mais misteriosa. Quando você precisa acertar as contas com as palavras que não disse, com o adeus que não conseguiu dar e as portas que não teve coragem de fechar ou as janelas que não se achou pronto para abrir. Independente de você, o amor continua sendo e acontecendo ao seu redor. É preciso perder o medo. E mergulhar de uma altura possível.

3 comentários:

  1. Anônimo1:06 PM

    Muito bom seu devaneio, sem dúvidas deve-se ter alguma cautela, mas para amar é preciso arriscar-se.

    Roberta Carvalho.

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  2. tenho o mesmo pensamnto quanto a solidao.. quanto a todo o resto tmb neh...
    bjinhus

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  3. E eu que só ando molhando a pontica do dedão do pé...

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