"Era uma vez três panterinhas que entraram para a polícia feminina. E a cada uma foi destinada uma missão perigosa. Mas eu as afastei de tudo isso. E agora trabalham para mim.
Meu nome é Charlie."
Uma das minhas memórias televisivas mais remotas e pela qual guardo um imenso afeto é a de esperar ansiosamente pela exibição às quartas-feiras do seriado As Panteras, numa época em que a Globo passava várias séries americanas na faixa das 21h. Mas para expressar melhor a minha ansiedade, é preciso especificar um detalhe técnico.
Charlie's Angels começou nos Estados Unidos em 1976 e era criação de Aaron Spelling, o mago da televisão que também criara outros títulos de sucesso no Brasil como A Ilha da Fantasia, Barrados no Baile e Melrose Place, só para citar alguns. Mas quando eu já tinha idade para assistir à série na Quarta Nobre, ela já estava no seu segundo ano. Originalmente ela durou cinco temporadas, de 76 a 81.
O elenco também mudava bastante. Durante a primeira temporada, os anjos de Charlie eram: Jaclyn Smith (Kelly Garret), Kate Jackson (Sabrina Duncan) e Farrah Fawcett-Majors (Jill Munroe). Farrah na época era casada com Lee Majors (o Homem de Seis Milhões de Dólares) e fazia algum sucesso como modelo. Eis que um certo poster que a retratava de maiô vermelho vira febre nos EUA e ela é alavancada para uma fama imediata, com propostas de melhor salário e oportunidades diferentes. Por isso, resolveu deixar a série logo no final da primeira temporada.
Para justificar sua saída da trama, os roteiristas criaram Kris Munroe, irmã de Jill interpretada por Cheryl Ladd, que chegaria para substituí-la a partir da segunda temporada. Foi exatamente neste ponto que eu comecei a assistir às Panteras, ou seja, eu havia perdido toda a famosa primeira temporada com a mais famosa ainda Farrah Fawcett. E toda a minha empolgação para ver a Quarta Nobre era calcada na esperança de que algum episódio da primeira temporada fosse reprisado, para que eu conhecesse Jill Munroe em ação - ela até participou de alguns episódios posteriores, mas não era a mesma coisa.
Farrah Fawcett era uma entidade. A foto do maiô vermelho aparece até em "Os Embalos de Sábado à Noite", no quarto de Tony Manero, e é o poster de pin-up mais vendido da história, com 12 milhões de cópias comercializadas. Farrah estava presente em mais lugares do que qualquer série ou filme conseguia chegar. O mais irônico de tudo é que ela deixou o seriado de Aaaron Spelling por propostas de trabalho que nunca se concretizariam - um pouco pela relação conturbada de Lee Majors com o sucesso da então esposa. Farrah estava por toda parte, o público a conhecia, mas ninguém sabia dizer o que mais ela tinha feito além de Charlie's Angels – sua profissão era a fama.
Um dia eu conversava com um fã inglês do seriado, colecionador experiente da memorabília da série e perguntei quanto valia uma foto autografada do elenco. Ele respondeu imediatamente, "depende, se a Farrah estiver na foto é mais caro, muito mais caro".
O meu dia finalmente chegou quando a Globo, anos depois, passou As Panteras para a faixa vespertina da programação, na Sessão Aventura. O seriado foi transmitido desde o começo e pude acompanhar a tão desejada primeira temporada. A esta altura, claro, eu já havia desenvolvido uma relação de proximidade com as meninas de Charlie. Nunca simpatizei com a insípida Tiffany (Shelley Hack), por exemplo. Mas adorava a breguice divertida da ruiva Julie (Tanya Roberts), uma modelo que virou detetive e a última a ser admitida no elenco. Tanya participaria depois de That 70's Show, como a mãe de Donna.
A temporada de estreia do seriado tem uma dose extra de charme se comparada às outras. Não só pela presença de Fawcett, mas muito pelo esforço constante dos roteiristas em ousar – dentro do que lhes era permitido na época – no que diz respeito aos papéis femininos. Mas eram contraditórios, mesmo para a década de 1970. Ao mesmo tempo em que as personagens eram mulheres de fibra e coragem, não dispensavam o guarda-roupas digno de editorial de moda. No final das contas Farrah é uma das principais razões do status de culto que Charlie's Angels adquiriu.
E Farrah se foi semana passada, aos 62 anos, depois de 27 anos ao lado do companheiro Ryan O'Neal.
Godspeed, angel.
Charlie's Angels começou nos Estados Unidos em 1976 e era criação de Aaron Spelling, o mago da televisão que também criara outros títulos de sucesso no Brasil como A Ilha da Fantasia, Barrados no Baile e Melrose Place, só para citar alguns. Mas quando eu já tinha idade para assistir à série na Quarta Nobre, ela já estava no seu segundo ano. Originalmente ela durou cinco temporadas, de 76 a 81.
O elenco também mudava bastante. Durante a primeira temporada, os anjos de Charlie eram: Jaclyn Smith (Kelly Garret), Kate Jackson (Sabrina Duncan) e Farrah Fawcett-Majors (Jill Munroe). Farrah na época era casada com Lee Majors (o Homem de Seis Milhões de Dólares) e fazia algum sucesso como modelo. Eis que um certo poster que a retratava de maiô vermelho vira febre nos EUA e ela é alavancada para uma fama imediata, com propostas de melhor salário e oportunidades diferentes. Por isso, resolveu deixar a série logo no final da primeira temporada.
Para justificar sua saída da trama, os roteiristas criaram Kris Munroe, irmã de Jill interpretada por Cheryl Ladd, que chegaria para substituí-la a partir da segunda temporada. Foi exatamente neste ponto que eu comecei a assistir às Panteras, ou seja, eu havia perdido toda a famosa primeira temporada com a mais famosa ainda Farrah Fawcett. E toda a minha empolgação para ver a Quarta Nobre era calcada na esperança de que algum episódio da primeira temporada fosse reprisado, para que eu conhecesse Jill Munroe em ação - ela até participou de alguns episódios posteriores, mas não era a mesma coisa.
Farrah Fawcett era uma entidade. A foto do maiô vermelho aparece até em "Os Embalos de Sábado à Noite", no quarto de Tony Manero, e é o poster de pin-up mais vendido da história, com 12 milhões de cópias comercializadas. Farrah estava presente em mais lugares do que qualquer série ou filme conseguia chegar. O mais irônico de tudo é que ela deixou o seriado de Aaaron Spelling por propostas de trabalho que nunca se concretizariam - um pouco pela relação conturbada de Lee Majors com o sucesso da então esposa. Farrah estava por toda parte, o público a conhecia, mas ninguém sabia dizer o que mais ela tinha feito além de Charlie's Angels – sua profissão era a fama.
Um dia eu conversava com um fã inglês do seriado, colecionador experiente da memorabília da série e perguntei quanto valia uma foto autografada do elenco. Ele respondeu imediatamente, "depende, se a Farrah estiver na foto é mais caro, muito mais caro".
O meu dia finalmente chegou quando a Globo, anos depois, passou As Panteras para a faixa vespertina da programação, na Sessão Aventura. O seriado foi transmitido desde o começo e pude acompanhar a tão desejada primeira temporada. A esta altura, claro, eu já havia desenvolvido uma relação de proximidade com as meninas de Charlie. Nunca simpatizei com a insípida Tiffany (Shelley Hack), por exemplo. Mas adorava a breguice divertida da ruiva Julie (Tanya Roberts), uma modelo que virou detetive e a última a ser admitida no elenco. Tanya participaria depois de That 70's Show, como a mãe de Donna.
A temporada de estreia do seriado tem uma dose extra de charme se comparada às outras. Não só pela presença de Fawcett, mas muito pelo esforço constante dos roteiristas em ousar – dentro do que lhes era permitido na época – no que diz respeito aos papéis femininos. Mas eram contraditórios, mesmo para a década de 1970. Ao mesmo tempo em que as personagens eram mulheres de fibra e coragem, não dispensavam o guarda-roupas digno de editorial de moda. No final das contas Farrah é uma das principais razões do status de culto que Charlie's Angels adquiriu.
E Farrah se foi semana passada, aos 62 anos, depois de 27 anos ao lado do companheiro Ryan O'Neal.
Godspeed, angel.








Já Grey Gardens, o telefilme, reproduz de forma minuciosa o cenário real. Drew Barrymore fincou sua bandeira no território das atrizes versáteis e talentosas, e Jessica Lange – que andava num limbo sem bons papéis – deu a volta por cima vivendo Big Edie. E pensar que Renee Zellweger era a primeira escolha para o papel defendido por Barrymore ...