14.12.10

Bethânia Velejando



Um dos extras do DVD/Blu-ray Amor, Festa e Devoção, de Maria Bethânia, recém lançado pela Biscoito Fino. A música é Eu Velejava em Você, de Eduardo Dusek e Luiz Carlos Goes, que Zizi Possi gravou em 1981.

Eu velejava em você
Não finja!
Como coisa que não me vê
E foge de mim...
A boca tremia,
Os olhos ardiam
Oh! Doce agonia
Oh! Dor de viver
De ver sua imagem
Que eu nunca via
Sua boca molhada
Seu olhar assanhado
Convite pra se perder
Minha alma cansada
Não faz cerimônia
Você pode entrar sem bater
Pois eu já velejei em você
E foi bom de doer
Mas foi, como sempre, um sonho
Tão longe, risonho
Sinto falta,
Queria lhe ver...

1.12.10

Amores Imaginários


Cena do excelente filme canadense Les Amours Imaginaires (2010), de Xavier Dolan, o mesmo diretor de Eu Matei Minha Mãe. Na trilha, Dalida canta Bang Bang em italiano. Uma verdadeira pérola.

28.11.10

The World in my Eyes


Do novo DVD/Blu-ray do Depeche Mode, que registra o show da Tour of the Universe em Barcelona.

25.8.10

Uma folha em branco


Uma folha em branco. Ela e eu nos olhando um tanto desconfiados um do outro, sem muita intimidade para dizer coisas muito verdadeiras. Pelo menos não daquelas coisas que se diz como quem desabafa, sem preocupar-se com o impacto que poderá causar. O que me leva a crer que escrever verdades a meu respeito está fora de cogitação.

A verdade, no entanto, aqui não precisa necessariamente contar. Ou melhor, eu não preciso necessariamente contar a verdade. Não ignoro que você esteja aí me lendo, nem finjo que estou em alguma espécie de confessionário onde posso despejar o pior de mim para depois ser absolvido por alguma autoridade superior. Eu não acredito nesse tipo de absolvição. Acho, muito ingenuamente, que ela não vem de cima, mas de dentro.

Mas continuo escrevendo, matando lentamente com cada palavra o espaço em branco da folha. O problema é que, como na vida, quanto mais palavras você jogar na folha, mais espaço vazio surge abaixo. Será que quanto mais se fala mais silêncio se cria? Pensando bem, não pode ser assim. Porque quando tentamos nos expressar, queremos ser compreendidos, ou quem sabe, na pior das hipóteses, ouvidos. Tudo isso pressupõe o ato comunicativo. Eu digo, você ouve, comenta dizendo que sim, ou que não, ou que compreende. Até quando não comenta já está dizendo que desaprova ou mostrando sua indiferença.

Outro dia sentei para escrever algo sobre uma ideia que me pareceu interessante quando eu a tive. Depois de dois parágrafos, percebi o tom de ressentimento que estava aplicando ao texto. Um ressentimento absolutamente inocente — não sei se pode haver inocência em ressentimento, talvez seja mais adequado dizer que ele era totalmente inconsciente. Foi então que eu entendi: o ressentimento é algo muito prolífico. Ele tem a capacidade de motivar o indivíduo a produzir, trabalhar, relacionar-se, viajar, tomar decisões importantes, atitudes há muito adiadas. Tudo acontece fácil e sem hesitações.

Naquele dia, eu reli o que havia escrito e me transformei por alguns instantes no leitor desconfiado que geralmente sou. Que desagradável pode ser olhar-se de longe. Mas também é necessário. Não precisei publicar em lugar algum. Minha catarse se fez na releitura. Bom seria se tudo na vida fosse como escrever um texto e pudéssemos ter a chance de revisar nossos atos antes de soltá-los no mundo. Tudo que estivesse fora da norma seria automaticamente corrigido e ninguém precisaria ver nosso arrombo de incorreção.

A realidade, no entanto, não é assim. Eu mesmo já devo ter revelado mais de mim nessas linhas do que gostaria e depois que isso for lido, não há o que revisar. Importante mesmo é não deixar de. 

28.5.10

Compilation


Compilation nova para o frio que chega a Porto Alegre neste final de semana. Tem a nova de Tracey Thorn (ex-EBTG), homenagem do Bird and The Bee para Hall and Oates, mais 80s com a cover acústica do Nouvelle Vague para o hit do Yazoo, Don't Go e outras canções para aconchego, um pouco de assombro e a bebida de sua preferência.

01. Tracey Thorn - Why Does the Wind (Ewan Pearson Radio Edit) (3:41)
02. The Bird And The Bee - One On One (3:40)
03. Alison Moyet - Almost Blue (3:53)
04. Federico Aubele - Luna Y Sol (Lance Herbstrong Remix) (4:58)
05. Gotan Project - La Gloria (3:47)
06. Sade - Bring Me Home (4:08)
07. Sharleen Spiteri - Windmills Of Your Mind (4:46)
08. Shirley Bassey - The Girl From Tiger Bay (4:16)
09. Alicia Keys - Empire State of Mind (Part II Broken Down) (3:33)
10. Sarah Mclachlan - Possession (5:13)
11. Nouvelle Vague - Don't Go (4:29)
12. Gabriella Cilmi - Safer (Acoustic Version) (3:44)
13. Barry White - I Only Want To Be With You (5:04)
14. Fangoria - Ese Hombre (3:55)

Aqui

18.5.10

25.4.10

19.4.10

Uma madrugada

Ando acabrunhado, talvez de solidão. Não sei se é bem isso. Na realidade, se tenho uma grande dificuldade de saber quem verdadeiramente sou na maioria das vezes, imagine se saberia que tipo de mal me acomete ou que nome dar a ele. Respeito a minha condição de não saber as coisas porque é precisamente ela que me permite todos os dias fazer o questionamento principal: de onde vem, para onde vai e onde me leva o que sinto? Dar um nome a essa coisa, portanto, é o que menos importa. Meu terapeuta, inclusive, declarou que de todos os pacientes dele, o que melhor convive com estar só sou eu. Mas o fato é que estou mesmo acabrunhado, com um espaço vazio que parece percorrer a extensão do esôfago e que me impede de sentir mais intensamente as coisas e dificulta relaxar e aproveitar os momentos. Essa coisa me torna quase impossível ser feliz pelo agora, pelo que eu tenho, pelo mora em mim. Acho que ela é como uma bactéria que rasteja até o cérebro e me força o tempo todo a achar que a felicidade está amanhã, que virá um dia e que o hoje é apenas a antessala do amanhã feliz. Aí, então, caímos naquele paradoxo do amanhã ser o hoje um dia mais tarde, que não existe ontem nem amanhã, só o agora. A lógica diz que adquirir a consciência de algo que nos transtorna é o primeiro passo para transformar o transtorno em aprendizado e o aprendizado em cura. Digam-me os sábios que dominam essa lógica: depois de trazida à consciência a minha aflição, qual o próximo passo? Sim, porque me sinto na madrugada entre o lamuriento eu de ontem e o vitorioso eu de amanhã. Um eu que sabe que ontem estava errado e o amanhã há de acertar. Veja que curioso, mais uma vez caio na armadilha de não saber o que fazer com o agora. Afrontado pelo medo de desperdiçar a reflexão, portanto, resolvi escrever. E o ato de escrever não me traz dinheiro, aceitação, amor ou amizade. Mas esse diálogo entre mim e você, desconhecido leitor, alivia o peito e me consola com a pequena esperança de que você tome meu exemplo. Quando também estiver acometido por um sentimento apático e assustador, faça algo que lhe dê algum prazer.

12.4.10

28.3.10

Persistência


Cena final de An Englishman in New York (2009), em que John Hurt interpreta Quentin Crisp, escritor inglês que desafiou definições de gênero e o patrulhamento ideológico. Claro, pagou caro por isso, cometeu erros e algumas gafes precipitadas. Mas soube dar seu adeus com sábias palavras.

17.2.10

Compilation


1. Shara Nelson - Pain Revisited (5:14)
2. Saint Etienne - Method Of Modern Love (Richard X Join Our Clique Mix) (6:03)
3. Charlotte Gainsbourg - IRM (2:37)
4. Céu - Grains de Beaute (3:37)
5. Anne Murray and kd Lang - A Love Song (3:07)
6. Aretha Franklin - You Keep Me Hangin' On (3:07)
7. Etta James - Do Nothin' Till You Hear From Me (4:19)
8. Lorraine Ellison - Cry Me A River (3:01)
9. Grant Lee Phillips - Boys Don't Cry (3:45)
10. Biffy Clyro - Love Sex Magic (2:50)
11. Marmaduke Duke - Single Ladies (Put a Ring On It) (2:22)
12. Dido - Northern Skies (Remix) (5:53)
13. Fangoria - La Verdad (2:51)
14. Michael Jackson - Ben (Acapella) (2:26)
15. Pet Shop Boys - We All Feel Better in the Dark (4:00)

Aqui ou aqui.

11.2.10

Straight Up


O concorrente Andrew Garcia, no American Idol da última terça-feira, cantando Straight Up, hit grudento de Paula Abdul. Genial.

28.1.10

A linguagem precisa ser precisa, não precisa?

Nós que escrevemos em blog, formulários, processos, contestações, redações, relatórios, artigos científicos, jornalísticos, publicitários. Nós que desejamos expressar nossa opinião, nossos achados e pesquisas, nossos sentimentos e crenças, no fantástico, na pessoa ou no produto. Nós que optamos ou somos obrigados a utilizar a linguagem escrita, para a finalidade que seja, estamos perdendo o fio da meada, estamos nos tornando bobos e medíocres. Estamos escrevendo cada vez pior e dizendo cada vez menos o que desejamos dizer. Estamos o tempo todo tentando enganar o leitor, no desejo vulgar de aparentar mais esperteza e desenvoltura do que realmente temos. Nosso vocabulário anda confuso e nossas orações, desorganizadas. Onde estão as pequenas e eficientes frases curtas que dizem apenas aquilo que querem dizer? Por onde anda a ojeriza que tínhamos pelos clichês e o carinho que alimentávamos pela objetividade? O que houve com a equação sujeito + predicado + objeto? E a premissa de que o verbo deve concordar com o sujeito? Acho que estamos lendo pouco, e esse pouco que lemos é de má qualidade.

Então, que tal fazermos uma experiência? Vamos escrever de forma prática e econômica, preocupados apenas com o que desejamos comunicar? Certamente nosso texto será mais curto, mas não nos apavoremos – menos é mais.

18.1.10

Fé cega, faca amolada



Esta animação espertíssima é parte do documentário Como Diz a Bíblia (For The Bible Tells Me So, 2007), que examina a condenação religiosa da homossexualidade nos Estados Unidos. O diretor Daniel G. Karslake opta por uma abordagem construtiva, mostrando exemplos de homossexuais crescidos em famílias extremamente religiosas e que, de certa forma, conseguiram conquistar o respeito de seus familiares. Declarações de especialistas do calibre de Desmond Tutu, contextualizam alguns trechos da bíblia utilizados frequentemente pelos fanáticos para disseminar mensagens de ódio e preconceito.

Uma das mais graves constatações que se tem depois de assistir ao filme é a de que a direita radical religiosa é um dos movimentos mais perigosos da história. Pessoas são assassinadas em seu nome, com a benção de líderes irresponsáveis que fazem questão de plantar e fazer crescer o ódio e a intolerância, com suas noções confusas de pecado e punição.

2.1.10

Goodnight, Lovers


Dave Gahan e Martin L. Gore em momento singular da turnê Touring the Angel, em Milão. Uma das minhas faixas favoritas de Exciter.